Veja dicas de como reduzir o risco de intoxicação alimentar…

Você pode se proteger se tomar as devidas precauções com os alimentos que consome!

O ano ainda não chegou à metade e já ocorreram sete surtos confirmados de intoxicação alimentar nos Estados Unidos. O mais recente envolvia ovos contendo salmonela e embalagens de alface-romana picada contaminada com o perigoso E. coli 0157:H7, o “bichinho do hambúrguer”.

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) disse que o surto com a alface-romana envolveu 172 pessoas em 32 estados, com uma morte. Os outros surtos deste ano, todos envolvendo a salmonela, foram ligados ao coco seco, à salada de frango, a um suplemento herbáceo chamado kratom, brotos e coco ralado congelado. No ano passado, houve oito surtos multiestados; em 2014, 14.

Com o verão no Hemisfério Norte e seus piqueniques e festivais de comida ao ar livre chegando, mais surtos devem estragar a diversão de pessoas inocentes neste ano. Vivemos em uma economia alimentícia global e a maioria das pessoas compra e consome alimentos produzidos a milhares de quilômetros de distância, que muitas vezes são embalados a granel para simplificar a preparação em casa e nos restaurantes.

Carne, aves e peixes podem vir de fazendas enormes onde centenas de milhares de animais são criados juntos, aumentando a chance de que organismos ligados à intoxicação alimentar se espalhem amplamente antes de serem detectados.

Mais de 40 milhões de casos e três mil mortes devem acontecer por causa da intoxicação alimentar neste país a cada ano. Uma a cada seis pessoas deve adoecer por ano, segundo o CDC, e o problema só está piorando.

Os casos não estão mais principalmente ligados a alimentos produzidos com ovos crus (como maionese ou gemada caseira) ou carne ou frango malcozido. Organismos daninhos agora aparecem em alimentos que não eram considerados problema anos atrás, como framboesa, melão, sorvete, salame, cebolinha, salsinha, suco de maçã e até em cereal de aveia tostada.

 

Tome as devidas precauções

Você pode se proteger se adotar as precauções adequadas com a comida que compra. O mais importante: mantenha quentes os alimentos quentes e gelados os frios. Se o alimento deve ser refrigerado, não o mantenha em temperaturas acima de quatro graus Celsius por mais tempo do que demora para chegar da loja em casa – no máximo por uma ou duas horas. Em ambiente quente ou veículo ensolarado, transporte os itens em um isopor com gelo ou em uma sacola térmica.

Em casa, guarde os alimentos com segurança. Nunca coloque carne, aves ou peixes crus na geladeira onde podem pingar em outros alimentos, principalmente naqueles já cozidos e em frutas e legumes frescos que pode ser consumidos crus. Contudo, frutas e verduras podem e devem ser lavados mesmo que você planeje descascá-los ou cozinhá-los, a menos que venham embalados como prontos para uso ou que tenham sido lavados três vezes. A nova lavagem aumenta a contaminação cruzada.

Tome o dobro do cuidado ao lavar melões, especialmente os de casca rugosa, antes de cortá-los para não transferir organismos da superfície da fruta para a polpa interna. Entretanto, especialistas não recomendam usar detergente ou água sanitária em alimentos. Não presuma que, se o alimento tem origem local ou vem direto do produtor, ele esteja livre de perigos. Grandes produtores seguem regras severas para impedir contaminação; pequenos granjeiros locais podem não seguir as mesmas restrições.

Antes de se preparar para cozinhar, use sabão e água quente para lavar as mãos, debaixo das unhas e até os punhos. Use uma solução com uma colher de sopa de água sanitária por litro de água para limpar as superfícies da cozinha.

Ao preparar alimentos, utilize tábuas e facas separadas para carnes cruas e verduras, mesmo as que pretende cozinhar, ou lave o equipamento cuidadosamente com detergente entre as duas etapas.

Sempre refrigere alimentos marinados, mesmo que a marinada seja ácida. Nunca use a mesma marinada no alimento depois que ele foi cozido –a menos que a ferva por dez minutos– e não a reuse para marinar outra coisa.

Cozinhe produtos animais na temperatura adequada: 70º Celsius para carne moída; 75º para aves; 60º para porco e peixe; até a carne ficar opaca para a maioria dos frutos do mar e até as conchas se abrirem no caso dos mariscos, ostras e mexilhões. Depois que a comida for cozida, coloque em uma travessa limpa. Se dará um jantar e espera que comida fique fora da geladeira por horas, use “réchauds” para manter o alimento quente e, as geladas, posicione sobre gelo.

 

Como saber se é intoxicação?

Porém, por mais cuidado que se tome com a comida em casa, é difícil, se não impossível, reduzir os riscos de intoxicação alimentar no caso de consumir principalmente pratos de restaurantes. Basta um manipulador de comida na linha de produção que tenha um organismo nocivo e que não tome as precauções necessárias contra contaminação do que será preparado e servido.

É possível, contudo, ajudar a proteger os outros. Se tiver bons motivos para suspeitar de uma origem particular para o seu problema, você pode ajudar a reduzir a disseminação e impedir que mais gente adoeça informando sua experiência assim que possível à vigilância sanitária e ao estabelecimento onde comprou ou consumiu o alimento.

Todavia, apontar a causa de uma intoxicação alimentar pode ser bastante complicado. A origem pode ser –ou não– a última comida ou bebida que consumiu. Organismos diferentes levam quantidades de tempo diversas para produzir sintomas que possam ser reconhecidos como intoxicação alimentar e o tempo que leva para a comida transitar pelo trato digestivo varia de pessoa para pessoa.

Por exemplo, embora um ataque de “Staphylococcus aureus” geralmente aconteça de duas a quatro horas após a ingestão do alimento contaminado, pode demorar até dois dias para uma infecção por norovírus ou Yersinia causar problemas, e o E. coli 0157:H7 pode levar até dez dias antes de provocar diarreia com sangue e possível insuficiência renal.

Caso você queira saber a eficácia do seu trato digestivo, coma uma espiga de milho e veja quanto tempo demora para que os grãos não digeridos apareçam nas fezes. Isso pode ajudar a apontar a origem de uma intoxicação alimentar.

Além disso, embora os sintomas mais comuns de intoxicação alimentar incluam vômitos e diarreia, muitos organismos –shigella, Yersinia e “Clostridium perfringens”– somente provocam diarreia, e uma infecção grave por “Listeria monocytogenes” resulta principalmente em febre. Um laboratório hospitalar pode identificar rapidamente a causa com um exame de DNA em uma amostra de fezes.

Fonte: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/06/04/veja-dicas-de-como-reduzir-o-risco-de-intoxicacao-alimentar.htm

Jane E. Brody –  Do New York Times  04/06/2018 17h57

Imagem: Chiara Zarmati/The New York Times