FDA busca regras mais rígidas para rotulagem de glúten nos EUA
A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos deu um passo significativo em direção a uma maior transparência na rotulagem de alimentos, ao iniciar um processo para exigir que fabricantes de alimentos divulguem a presença de glúten e outros alérgenos não listados atualmente. Desse modo, a agência emitiu uma solicitação de informações (RFI) para coletar dados de stakeholders e aprimorar a regulamentação sobre a transparência de ingredientes.
Com isso, o objetivo principal da iniciativa é proteger consumidores com doença celíaca ou que seguem dietas sem glúten. Segundo o Comissário da FDA, Marty Makary, essas pessoas atualmente precisam “andar na ponta dos pés” e “adivinhar sobre suas opções de alimentos”. Dessa forma, a política visa incluir grãos que contêm glúten, como centeio e cevada, que não estão na lista atual de nove alérgenos principais de divulgação obrigatória nos EUA (leite, ovos, peixe, marisco, nozes, amendoim, trigo, soja e gergelim).
Transparência e contaminação cruzada
A ação da FDA faz parte da estratégia “Make America Healthy Again” (MAHA), que enfatiza a transparência radical nos ingredientes de alimentos embalados que afetam condições de saúde e alergias relacionadas à dieta. Um ponto crucial levantado pela agência é a questão da contaminação cruzada. Assim, muitos produtos que não contêm glúten podem ser processados em instalações que manipulam ingredientes à base de glúten. Isso leva as empresas a usarem a declaração voluntária “pode conter glúten”, que tem sido criticada por ser excessivamente utilizada e potencialmente confusa para os consumidores. Ademais, a FDA está buscando dados sobre o teor de glúten em aveia devido ao contato cruzado e sobre reações adversas a ingredientes como centeio e cevada.
Em um contexto internacional, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já emitiram novas diretrizes. Com isso, elas reafirmam que alimentos com até 20 partes por milhão (ppm) de glúten podem ser rotulados como “sem glúten”. Além disso, sugerem que a rotulagem “pode conter” não é necessária se o glúten acidental em uma única porção do alimento não exceder 4 miligramas. A Celiac Disease Foundation classificou o movimento da FDA como um “primeiro passo importante, não uma decisão final”, mas que aponta claramente para a direção de maior transparência, ciência e experiência vivida pelos consumidores.
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