Relatório da Flórida aponta glifosato em pão e gera debate sobre segurança dos alimentos

Relatório da Flórida aponta glifosato em pão e gera debate sobre segurança dos alimentos

A Flórida publicou o terceiro relatório da iniciativa Healthy Florida First, desta vez focado na presença de glifosato em pão. O documento divulga níveis do herbicida em diferentes marcas, mas volta a ser alvo de críticas por falta de transparência metodológica.

O relatório sucede publicações anteriores que abordaram arsênio em doces e metais pesados em fórmulas infantis.

Níveis de glifosato identificados em marcas de pão

Segundo os dados divulgados, os maiores níveis encontrados foram:

  • 190,23 partes por bilhão (ppb) no Nature’s Own Butter Bread
  • 132,34 ppb no Nature’s Own Perfectly Crafted White
  • 11,85 ppb no Dave’s Killer Bread White Done Right
  • 10,38 ppb no Dave’s Killer Bread 21 Whole Grain

Em comunicado, a primeira-dama Casey DeSantis afirmou que os resultados mostram níveis considerados preocupantes.

Falta de metodologia gera críticas de especialistas

Assim como nos relatórios anteriores, o documento não apresenta detalhes sobre critérios de amostragem, métodos analíticos, número de amostras, limites de detecção laboratoriais ou parâmetros de avaliação de risco.

Toxicologistas afirmam que, sem essas informações, os resultados não permitem interpretação técnica adequada. Segundo especialistas ouvidos pela Food Safety Magazine, a ausência de contexto científico pode gerar comunicação alarmista.

Indústria de panificação contesta relatório

Entidades do setor, incluindo a Associação Nacional de Produtores de Trigo, a Associação Norte-Americana de Moageiros e a Associação Americana de Panificadores, declararam que a segurança dos alimentos é prioridade na produção de grãos, farinha e pão.

As associações destacaram que o glifosato é regulado e revisado continuamente pela Environmental Protection Agency (EPA), que estabelece limites de tolerância para diferentes culturas alimentares.

Debate sobre limites e segurança do glifosato

A EPA define tolerâncias para resíduos de glifosato que variam de 0,1 a 400 ppm, dependendo da cultura. Já o Environmental Working Group (EWG) estabeleceu um limite próprio de ingestão considerado seguro para crianças de 0,01 miligrama por dia, valor inferior ao nível de risco significativo definido pela legislação da Califórnia.

O debate ganhou força recentemente após a retração de um artigo científico que sustentava a segurança do glifosato e após ações judiciais relacionadas ao herbicida. Estudos recentes também reacenderam discussões sobre possível carcinogenicidade da substância.

O caso reforça a importância da transparência científica na divulgação de dados sobre contaminantes e na comunicação de risco em segurança dos alimentos.

 

Imagem: Freepik
Fonte: Food Safety Magazine

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