Reino Unido relata dezenas de possíveis doenças relacionadas a fórmulas infantis.
Autoridades do Reino Unido relataram 36 notificações clínicas de crianças que consumiram lotes de fórmulas infantis posteriormente recolhidos e apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação por toxina cereulida, produzida pela bactéria Bacillus cereus.
Segundo a notícia, os casos foram registrados principalmente na Inglaterra, mas também envolvem Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, indicando uma distribuição geográfica ampla. Até o momento, não foram relatados casos graves ou mortes, e pelo menos um bebê que testou positivo para a toxina já se recuperou.
O que se sabe até agora
A investigação aponta que o problema estaria relacionado a um ingrediente específico, o óleo de ácido araquidônico (ARA), fornecido por um fabricante chinês e utilizado na formulação dos produtos recolhidos. O impacto do caso ultrapassou o Reino Unido, com relatos e medidas também em outros países e regiões, incluindo Europa, Hong Kong, Singapura e Brasil.
A notícia destaca ainda uma limitação técnica importante: no Reino Unido, não existe teste clínico direto disponível para detectar a toxina cereulida sem cultura, o que influencia a confirmação laboratorial dos casos e a condução da investigação.
Análise: o que esse caso evidencia
O episódio mostra como ingredientes específicos podem se tornar pontos críticos em cadeias globais de fornecimento, especialmente em produtos destinados a bebês. Também evidencia que, mesmo na ausência de casos graves, recalls preventivos são adotados quando há incertezas associadas à segurança de fórmulas infantis.
Além disso, o caso reforça a importância de rastreabilidade de ingredientes, capacidade analítica adequada e resposta rápida por parte das autoridades e das empresas diante de eventos que envolvem populações altamente vulneráveis.
Esse caso levanta uma questão simples: seus controles alcançam o ingrediente?
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