Compostos de algas marinhas podem bloquear etapa inicial da infecção por norovírus, aponta estudo

Compostos de algas marinhas podem bloquear etapa inicial da infecção por norovírus, aponta estudo

 

Pesquisadores identificaram que compostos naturais presentes em algas marinhas podem interferir no processo de infecção do norovírus, vírus responsável por milhões de casos de gastroenterite no mundo todos os anos. A descoberta foi apresentada por cientistas da Universidade Griffith, na Austrália, em parceria com a empresa de biotecnologia Marinova.

Os resultados da pesquisa foram publicados em 2026 na revista científica Microbiology Spectrum e indicam que determinadas substâncias extraídas de algas podem impedir uma etapa fundamental do processo de infecção viral.

 

Compostos naturais foram analisados em laboratório

O estudo investigou compostos bioativos encontrados em diferentes tipos de algas marinhas, especialmente em algas verdes e algas marrons.

Entre as substâncias analisadas pelos cientistas destacam se dois compostos naturais:

  • Fucoidan, presente em algas marrons.
  • Ulvan, encontrado em algas verde

Os pesquisadores concentraram a investigação no potencial dessas moléculas para interferir na etapa inicial da infecção causada pelo norovírus.

Vírus precisa se ligar ao intestino para iniciar infecção

Para infectar o organismo humano, o norovírus precisa primeiro se ligar a moléculas presentes no intestino chamadas antígenos de grupos sanguíneos histológicos (HBGAs).

Essa ligação é considerada um passo essencial para que o vírus consiga iniciar o processo infeccioso dentro do organismo.

Durante os experimentos realizados em laboratório, os cientistas observaram que o composto fucoidan apresentou o efeito mais significativo, sendo capaz de bloquear a ligação do vírus a essas estruturas do intestino.

Quando essa ligação é impedida, o vírus encontra dificuldades para iniciar a infecção.

Potencial para novas estratégias de prevenção

De acordo com Grant Hansman, pesquisador da Universidade Griffith e autor principal do estudo, o fucoidan atua como uma espécie de barreira que ocupa o local onde o vírus normalmente se fixa.

Dessa forma, o composto reduz a capacidade do norovírus de se conectar às células intestinais e iniciar a infecção.

Os cientistas consideram que essa descoberta pode abrir caminho para o desenvolvimento de estratégias naturais de prevenção contra o vírus, que atualmente é o principal responsável por casos de gastroenterite aguda em todo o mundo.

Estima se que o norovírus cause cerca de 685 milhões de infecções por ano globalmente, provocando sintomas como náuseas, vômitos, diarreia aquosa, febre e dores abdominais.

Próximos passos da pesquisa

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que novas investigações ainda são necessárias.

Os próximos estudos devem avaliar formas de produzir o fucoidan em maior escala e aprofundar o entendimento sobre o mecanismo de ação do composto.

Segundo os cientistas, compreender melhor esse processo pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção contra surtos de gastroenterite causados pelo norovírus.

Fonte: Click Petróleo e Gás.
Imagem: Freepik

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