Da moda à geladeira: como comida e bebida viraram sinal de status

Da moda à geladeira: como comida e bebida viraram sinal de status

A forma como as pessoas demonstram quem são mudou. Os sinais de bom gosto e prestígio, antes ligados à moda, agora vêm do que se come e bebe. É o que aponta o relatório Status Economy 2026, da Highsnobiety, segundo Mark Bellamy, diretor de estratégia da NewGen.

Smoothies da Erewhon, vinhos Pet Nat e matcha de grau cerimonial se tornaram declarações de identidade, comunicando conhecimento cultural e pertencimento social em uma única compra. Para marcas de alimentos e bebidas, essa mudança representa uma das maiores oportunidades de construção de marca em uma geração.

Conhecimento vale mais que dinheiro

Sinalizar status por meio da comida não depende de preço, mas de conhecimento: estar por dentro e mostrar que você sabia o que era relevante antes de virar tendência. Um consumidor que descobre uma marca artesanal de picles antes de ela viralizar já demonstra esse tipo de capital cultural, mesmo gastando pouco.

A pressão econômica reforça essa tendência: com jovens gastando menos em compras de alto valor, comida e bebida viraram o espaço acessível para expressar gosto pessoal — o chamado “efeito batom”.

A cultura por trás da mudança

Alimentos e bebidas entram na cultura pelos mesmos mecanismos da cultura dos tênis: escassez, comunidade, adoção antecipada e amplificação por criadores de conteúdo. Quando um criador de confiança é visto consumindo um produto, gera-se um impulso de compra imediato — mas a janela é curta.

Marcas bem-sucedidas conectam redes sociais e varejo, apesar do desafio de ritmos diferentes: distribuição em locais frequentados por criadores, estoques limitados ligados a momentos das redes e o próprio ponto de venda como cenário de conteúdo ajudam a aproximar as duas pontas.

Construir um universo, não apenas um produto

Para marcas sob restrições regulatórias sobre açúcar, gordura ou sal, a resposta não é silenciar, mas construir um universo em torno do produto que comunique estilo e identidade sem alegações sobre nutrientes. Um produto proteico da rede Pret, por exemplo, comunica a mensagem “sou uma pessoa ocupada e organizada” — o formato transmite um estilo de vida, e é esse universo que a marca deve construir.

Por onde marcas consolidadas devem começar

Marcas desafiantes entram com mais facilidade nesse espaço por partirem de comunidades pequenas e engajadas. Já marcas consolidadas têm uma base fiel que já consome o produto em momentos específicos — o primeiro passo é ouvir essa base, observando o que os consumidores já fazem com o produto.

A partir daí, recomenda-se construir uma rede de criadores em categorias adjacentes (moda, beleza, estilo de vida), com compromisso de longo prazo, priorizando a conexão com o gosto do público em vez da mensagem centrada apenas no produto.

Jogar a longo prazo

As marcas que se destacam nesse cenário constroem relevância cultural de forma constante, em múltiplos pontos de contato e comunidades, deixando essa relevância crescer com o tempo — em vez de perseguir apenas momentos virais isolados.

Fonte: Food Bev

Imagem: IA

A BRQuality é uma empresa focada em desenvolver soluções criativas junto aos seus clientes, oferecendo treinamentos e consultorias personalizados, desmistificando e descomplicando o que parece difícil, deixando as equipes preparadas para dar continuidade nos programas e entender sua interação na cadeia de alimentos de forma responsável.