A evolução das proteínas vegetais na nutrição esportiva

A evolução das proteínas vegetais na nutrição esportiva

O mercado de nutrição esportiva plant-based enfrenta um desafio técnico conhecido como “Gap Anabólico”, que se refere à menor capacidade das proteínas vegetais de estimular a Síntese Proteica Muscular (MPS) na mesma magnitude que as proteínas de origem animal, como o Whey Protein. Diante disso, este diferencial de performance é atribuído a duas razões fisiológicas principais: a baixa digestibilidade das proteínas vegetais e o menor teor do aminoácido essencial leucina 

O duplo desafio da performance vegetal

A baixa digestibilidade das proteínas vegetais é resultado de sua estrutura, frequentemente encapsulada em paredes celulares fibrosas e acompanhada de fatores antinutricionais que inibem a ação das enzimas digestivas endógenas. Assim, isso resulta em uma absorção mais lenta e menos eficiente dos aminoácidos.

Ademais, o segundo fator é o menor teor de leucina. A leucina é o principal sinalizador molecular que ativa a via mTORC1, essencial para o crescimento muscular. Dessa forma, enquanto o Whey Protein possui cerca de 10% a 12% de leucina, fontes vegetais como ervilha e arroz contêm apenas 6% a 8%.

Estratégias tecnológicas para equivalência biológica

Para que as proteínas vegetais atinjam a equivalência biológica do soro do leite, a indústria tem investido em dois pilares tecnológicos: a adição de enzimas proteolíticas e a fortificação com leucina.

  •  A solução enzimática: acelerando a absorção

A inclusão de enzimas proteolíticas exógenas (proteases) na formulação atua pré-digerindo a proteína no trato gastrointestinal, ou melhorando a quebra da matriz proteica. Desse modo, essa coadministração aumenta significativamente a concentração plasmática de aminoácidos essenciais (EAA) e de cadeia ramificada (BCAA) logo após a ingestão. Assim, transformando uma proteína de digestão lenta em uma de absorção mais rápida, o que mimetiza a cinética do Whey Protein.

  • Fortificação com leucina: Ativando o crescimento

A ciência da hipertrofia estabelece um “Limiar de Leucina” (cerca de 2,5g a 3g por refeição) necessário para maximizar a MPS. Sendo assim, como uma dose padrão de proteína vegetal pode não atingir esse limiar, a estratégia de formulação inteligente é a fortificação com L-Leucina livre. Diante disso, ao adicionar leucina extra, o formulador consegue igualar o perfil aminogênico ao do leite, garantindo que a proteína vegetal ative a sinalização celular necessária para o crescimento muscular na mesma taxa que a proteína animal.

Desafios sensoriais

A implementação dessas tecnologias exige o mascaramento de sabor, pois tanto a L-Leucina livre quanto os peptídeos gerados pela ação enzimática podem introduzir notas amargas. Além disso, em bebidas prontas para beber (RTD), o uso de enzimas é complexo, pois pode levar à sedimentação e gelling durante o shelf-life, exigindo que a hidrólise seja controlada e inativada termicamente antes do envase. Sendo assim, a combinação de uma matriz proteica vegetal limpa, potencializada por enzimas proteolíticas para biodisponibilidade e leucina extra para sinalização celular, representa o futuro da nutrição esportiva, unindo a sustentabilidade das plantas com a potência de resultados.

 

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Fonte da imagem: Imagem gerada por IA.

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