Botulismo: você sabe o que é?

O botulismo é uma doença neuroparalítica grave, rara, não contagiosa, causada pela ação de uma potente toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum (C botulinum).

Quando se fala em segurança dos alimentos, sempre nos deparamos com as doenças desencadeadas pela produção e conservação de alimentos de maneira inadequada e entre elas está o botulismo, mas você sabe o que é?

O botulismo é uma síndrome neuroparalítica rara, mas potencialmente fatal, resultante da ação de uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. 

Apresenta-se sob 4 formas principais: botulismo alimentar, botulismo por ferimentos, botulismo intestinal e infantil. Por ser uma doença grave, de alta letalidade, deve ser considerada como uma emergência médica e de saúde pública e a suspeita de um caso deve ser sempre notificada imediatamente.

História do botulismo

A primeira investigação do botulismo ocorreu em 1820 com uma série de casos sobre centenas de pacientes com “envenenamento por salsicha” em uma cidade do sul da Alemanha. Mas o  microrganismo foi identificado em 1897, na Bélgica, quando Emile Pierre Van Ermengen descreveu um surto em 23 membros de um clube de músicos que adoeceram e três morreram após a ingestão de presunto contaminado. O microrganismo recebeu o nome de Bacillus botulinus em homenagem a palavra latina para salsicha, botulus. Nesta ocasião, identificou-se a toxina botulínica tipo A. 

Em 1904, foi identificada a toxina tipo B. Em 1943, foi descrito o botulismo por ferimento e, em 1976, o botulismo infantil, atualmente conhecido como botulismo intestinal. A partir da década de 80, foram relatados casos de botulismo associados ao uso de drogas inalatórias e injetáveis. A distribuição da doença é mundial, com casos esporádicos ou surtos familiares, geralmente relacionados com a produção e conservação de alimentos de maneira inadequada. No Brasil, a notificação de surtos e casos isolados passou a ser feita de forma sistemática a partir de 1999. Na maioria deles, a toxina identificada foi a do tipo A e os alimentos mais envolvidos foram conservas caseiras.

Transmissão

A bactéria causadora do botulismo produz esporos que sobrevivem até em ambientes com pouco oxigênio, como em alimentos em conserva ou enlatados. Ela produz uma toxina que, mesmo se ingerida em pouquíssima quantidade, pode causar envenenamento grave em questão de horas. Além disso, os esporos desta bactéria existem na natureza, como em solos e sedimentos de lagos e mares. Também estão presentes na água não tratada e em produtos agrícolas, como legumes, vegetais e mel, e em intestinos de mamíferos, peixes e vísceras de crustáceos. A bactéria entra no organismo por meio de machucados na pele ou pela ingestão de alimentos contaminados. Embora raros, há descrição de casos de botulismo acidental associados ao uso terapêutico ou estético da toxina botulínica e à manipulação de material contaminado em laboratório.

Botulismo alimentar

Ocorre por ingestão de toxinas em alimentos contaminados e que foram produzidos ou conservados de maneira inadequada. Os alimentos mais comumente envolvidos são: conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi); produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura – “carne de lata”); pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e pasta de queijos e, raramente, em alimentos enlatados industrializados. O período entre a contaminação e o início dos sintomas pode variar de 2 horas a 10 dias, com média de 12 a 36 horas. Quanto maior a concentração de toxina no alimento ingerido, menor o período de incubação.

Botulismo por ferimentos

Uma das formas mais raras de botulismo é causada pela contaminação de ferimentos com C. botulinum. Esmagamento de membros; ferimentos profundos; ferimentos produzidos por agulhas em usuários de drogas injetáveis; lesões nasais em usuários de drogas inalatórias, são os tipos de ferimentos com mais possibilidade de serem contaminados. O período de incubação pode variar de 4 a 21 dias, com média de 7 dias.

Botulismo intestinal

Neste tipo de botulismo, os esporos contidos em alimentos contaminados se fixam e se multiplicam no intestino, onde ocorre a produção e a absorção da toxina. Em adultos, são descritos alguns fatores de risco, como cirurgias intestinais, Doença de Crohn e/ou uso de antibióticos por tempo prolongado, que levaria à alteração da flora intestinal. Não se sabe o período de incubação deste tipo da doença porque é impossível saber o momento da ingestão dos esporos.

Botulismo infantil

Há, ainda, o botulismo infantil, que é, na verdade, do tipo intestinal e mais frequente em crianças com idade entre 3 e 26 semanas. Sua principal causa é a ingestão de mel de abelha nas primeiras semanas de vida. 

Sintomas: 

Variam de acordo com o tipo de infecção. 

Os mais comuns são: 

– dores de cabeça; 

– vertigem; 

– tontura; 

– sonolência; 

– visão turva; 

– visão dupla; 

– diarreia; 

– náuseas; 

– vômitos; 

– dificuldade para respirar; 

– paralisia da musculatura respiratória, de braços e pernas; 

– comprometimento de nervos cranianos; 

– prisão de ventre; 

– infecções respiratórias.

 

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