Edição genética cria banana que resiste ao escurecimento por até 12 horas
A empresa britânica de biotecnologia Tropic, sediada em Norwich, desenvolveu uma variedade de banana que demora mais para escurecer após ser descascada — um avanço que pode ajudar a reduzir o desperdício desse que é a fruta mais consumida do mundo.
Como funciona a edição genética
Usando a tecnologia CRISPR-Cas9, os cientistas da Tropic “desligaram” o gene PPO1, responsável pela produção da polifenol oxidase, enzima rica em cobre que provoca o escurecimento da fruta — como as bananas possuem três cópias desse gene, todas as três foram editadas. Segundo a empresa, a fruta resultante mantém a cor amarela e a aparência fresca por mais tempo depois de descascada, sem alterar sabor, textura ou aroma, com cerca de 30% menos escurecimento em 24 horas em comparação com uma banana convencional.
Passo regulatório no Reino Unido
Em 25 de setembro, o produto recebeu uma notificação de comercialização do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) — uma etapa importante antes de chegar aos supermercados britânicos, embora ainda precise passar pelos testes de segurança da Food Standards Agency (FSA) para ser vendida nas lojas. A variedade já havia recebido algum nível de aprovação regulatória em pelo menos 11 outros países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Japão e Brasil.
Não é considerada transgênica
Como não houve introdução de material genético de espécies não aparentadas, o produto não é classificado como organismo geneticamente modificado (OGM) tradicional pela legislação britânica de “precision breeding”, em vigor desde 2025 na Inglaterra — o que significa que, caso aprovada pela FSA, a banana não precisará carregar rótulo de “editada geneticamente”.
Potencial de redução de desperdício
O projeto também busca reduzir um dos maiores problemas da cadeia da banana: o desperdício alimentar, já que a fruta costuma escurecer poucos minutos após ser descascada ou cortada. Segundo estimativas da própria empresa — ainda não comprovadas em larga escala —, a tecnologia tem potencial de reduzir o desperdício e as emissões de CO2 ao longo da cadeia de suprimentos.
Fonte: Reuters
Imagem: Magnific