Estudo projeta aumento do risco de micotoxinas no trigo europeu
As mudanças climáticas podem aumentar o risco de contaminação por micotoxinas no trigo cultivado na Europa, de acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Wageningen. Para chegar a essa conclusão, os cientistas desenvolveram uma estrutura de modelagem baseada em aprendizado de máquina capaz de prever como diferentes cenários climáticos podem influenciar a ocorrência dessas toxinas.
Modelo combina dados históricos e projeções climáticas
A ferramenta integra dados históricos de monitoramento de micotoxinas com projeções climáticas e cenários socioeconômicos futuros. Como demonstração, os pesquisadores avaliaram o trigo de inverno e estimaram o risco de contaminação por seis micotoxinas: deoxinivalenol (DON), zearalenona (ZEA), toxinas T-2 e HT-2, aflatoxina B1 (AFB1), fumonisinas (FBs) e ocratoxina A (OTA).
DON apresenta maior tendência de aumento
Os resultados indicam que, em todos os cenários climáticos analisados, há tendência de aumento do risco de contaminação por DON, ZEA e OTA. Entre essas micotoxinas, o DON apresentou o crescimento mais expressivo, com maior probabilidade de atingir a classe mais elevada de contaminação nas projeções para 2050 e 2070.
As áreas costeiras da Europa, o Reino Unido e o norte da França foram apontados como regiões com maior aumento previsto para o DON. Já os incrementos estimados para ZEA e OTA foram considerados mais modestos.
Condições climáticas influenciam a contaminação
O estudo também mostrou que o risco de contaminação varia entre os anos e de acordo com o cenário climático considerado. Segundo os pesquisadores, fatores como temperatura, umidade relativa do ar e precipitação durante os períodos de florescimento e maturação do trigo exercem influência significativa sobre a ocorrência das micotoxinas.
Além disso, foi observada uma forte correlação entre DON e ZEA, atribuída ao fato de ambas poderem ser produzidas simultaneamente pelo fungo Fusarium graminearum. Em contrapartida, a OTA não apresentou correlação com essas duas micotoxinas.
Algumas micotoxinas não apresentaram risco no modelo
Para as toxinas T-2 e HT-2, aflatoxina B1 e fumonisinas, o modelo não identificou contaminação no trigo com base nos dados históricos utilizados, o que resultou em projeções nulas para essas substâncias. De acordo com os autores, fumonisinas e aflatoxina B1 estão mais frequentemente associadas ao milho, enquanto as toxinas T-2 e HT-2 são mais comuns na aveia.
Ferramenta pode apoiar avaliações futuras
Os pesquisadores destacam que esta é a primeira aplicação de uma estrutura preditiva baseada em aprendizado de máquina para estimar o risco de contaminação por micotoxinas em larga escala na Europa. Embora a demonstração tenha sido realizada com trigo de inverno, os autores afirmam que a metodologia poderá ser utilizada em outros estudos relacionados à segurança dos alimentos.
Fonte: Food Safety
Imagem: Magnific