Gestão de Fornecedores: estratégia ou uma real necessidade?

Autora: Fernanda Dulço Técnica em laticínios e bacharel em administração

Com a globalização e mudanças dos fatores econômicos, houve no mundo dos negócios uma busca pela redução dos riscos, minimização dos custos e aumento da sua capacidade de oferta.

Várias empresas dos mais diversos segmentos de mercado, buscam fechar parcerias com fornecedores para maximizarem seus resultados e aumentar a satisfação de seus clientes. Desta forma, as empresas passaram a depender fortemente do desempenho de sua rede de fornecedores de produtos e serviços ao longo da cadeia de suprimentos.

Este relacionamento entre empresa e fornecedor é conhecida como terceirização. Ela é vista como uma estratégia moderna de gestão, pois consiste basicamente na transferência de uma atividade para uma outra empresa, com o objetivo de obter vantagem competitiva em uma negociação, como por exemplo: a redução da estrutura funcional ou quadro fixo da empresa; melhor flexibilidade de entrega; maior confiabilidade nas atividades; redução de custos; ganho de qualidade por parcerias especializadas nas atividades afins.

O sucesso da terceirização está baseado em um processo estruturado e padronizado que deve levar em consideração todas as etapas desta negociação, desde o surgimento da necessidade de terceirizar determinada atividade, até o acompanhamento dos resultados práticos desta terceirização no dia a dia. Este é o processo de gestão de fornecedores que contempla três etapas: seleção, avaliação e qualificação do fornecimento.

A seleção dos fornecedores é oriunda da demanda por produtos ou serviços que são necessários ao funcionamento de determinada empresa e esta etapa se inicia com a busca dos fornecedores no mercado. Deve-se estabelecer os critérios específicos de seleção a serem considerados em cada processo e em cada atividade para o que se quer comprar, de modo a criar uma identidade junto ao fornecedor, e tornar claro suas prioridades e exigências.

Podemos citar como exemplos de critérios de seleção, mas não somente: tempo de entrega; flexibilidade para quantidade de pedidos; capacidade de inovação; qualidade certa; entrega rápida, se necessário; entrega no momento certo e na quantidade correta; qualidade e experiência do fornecedor naquela atividade; questões de segurança, meio-ambiente e saúde; custos; certificações de qualidade que o fornecedor possua; sistema tecnológico a ser utilizado; localização do fornecedor. Cada um destes critérios pode ser mais ou menos relevante para a escolha do fornecedor, dependendo da estratégia adotada por cada empresa.

A avaliação dos fornecedores ocorre, geralmente, a cada entrega, sempre realizando uma comparação com os requisitos e critérios pré estabelecidos da empresa. Estes devem estar previamente acordados com o fornecedor para que o mesmo esteja ciente da demanda e das necessidades de seu cliente.

No processo de avaliação do fornecedor pode-se estabelecer perda de pontos em função de itens não conformes identificados na entrega. Podemos citar como exemplos de requisitos de avaliação, mas não somente: pontualidade da entrega; condições de transporte; divergência entre quantidade solicitada e quantidade entregue; condições e adequação de embalagem; condições  comerciais; divergência entre marca solicitada e marca entregue. Esta etapa é crucial para o processo de gestão de fornecedores, pois é nela que se avalia e classifica o desempenho do fornecedor e ela antecede a qualificação.

Para a qualificação dos fornecedores existem diversas ferramentas que podem ser utilizadas, mas basicamente é a empresa conseguir identificar com base nos seus resultados de avaliações de cada entrega, em qual status cada fornecedor se encontra. Para os fornecedores que estão num patamar de excelência alto, a empresa não precisa demandar muita energia para correções de problemas, no entanto o acompanhamento dia a dia se faz necessário, uma vez que estamos sempre buscando melhorias nos processos. Já para os fornecedores que nos resultados de avaliações apresentam desvios consideráveis e constantes, planos de ação devem ser estabelecidos com prazos determinados para as correções. O objetivo é auxiliar o fornecedor a obter produtos e serviços mais seguros, de qualidade, com maior eficiência.

É muito importante neste processo de gestão de fornecedores alinhar as metas de desempenho do fornecedor com as metas e objetivos organizacionais da empresa, definir quais aspectos de desempenho serão avaliados e  monitorados, determinar o método de coleta de informações e fornecer feedback aos fornecedores quanto ao seu desempenho. Esta é uma ferramenta excelente para a promoção da melhoria contínua entre a relação fornecedor vs empresa.

Num mercado cada vez mais exigente, onde a qualidade é um diferencial competitivo, isto se constitui numa real necessidade.

 

Referências  Bibliográfricas:

BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. 4º Edição. 1999.

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GIOSA, LÍVIO A. (1999) – Terceirização: Uma abordagem estratégica. 5º ed. São Paulo: Pioneira.

LEIRIA, JERÔNIMO SOUTO. (1993) – Terceirização: Uma Alternativa de Flexibilidade Empresarial. 6° ed. Porto Alegre: Sagra – DC Luzzatto.

SLACK, NIGEL; CHAMBERS, STUART; JOHNSTON, ROBERT. (1996) – Administração da Produção. São Paulo: Atlas, Segunda Edição.

DE PAULA, S. P.; ALVES, A. G. C.. Gestão Estratégica de Fornecedores. Outubro de 2012