Gigantes do chocolate diversificam fontes de cacau diante da volatilidade do mercado
A recente crise no fornecimento de cacau pode estar perdendo força, mas os maiores fabricantes de chocolate continuam ajustando suas estratégias para reduzir riscos em um setor marcado por instabilidade climática e oscilações de preços.
A produção global depende fortemente da África Ocidental, especialmente de Gana e Costa do Marfim. Nos últimos anos, condições climáticas imprevisíveis, doenças nas lavouras e o alto custo de insumos agrícolas comprometeram a produtividade e elevaram os preços da matéria-prima. Embora as cotações tenham recuado recentemente, o cenário ainda é considerado incerto.
Mondelēz amplia origens na América Latina e Ásia
A Mondelēz International tem reforçado sua presença na América Latina, com foco no Brasil e no Equador. A companhia também amplia volumes na Índia e na Indonésia, regiões que operam com modelos agrícolas distintos dos praticados na África Ocidental.
Segundo a liderança da empresa, equilibrar o fornecimento entre diferentes regiões reduz o impacto de safras ruins ou surtos de doenças sobre o abastecimento global.
Barry Callebaut aposta no Brasil e em alternativas ao cacau
A Barry Callebaut firmou acordos para expandir a produção no Brasil e já mantém operações no Equador. Paralelamente, a empresa investe em alternativas ao cacau tradicional.
A companhia firmou parceria com a Planet A Foods, que desenvolve substitutos de cacau a partir de culturas como sementes de girassol. Também colabora com a Zurich University of Applied Sciences para estudar o potencial do cacau cultivado em ambiente controlado.
Mars investe em pesquisa e resiliência climática
A Mars intensificou investimentos globais para fortalecer sua cadeia de suprimentos. Em 2024, inaugurou um laboratório de pesquisa na Indonésia com foco no aumento da produtividade. Também firmou parceria com a corretora Sucden para estimular produção mais resiliente ao clima na República Dominicana e no Equador.
Nestlé mantém foco na África Ocidental
A Nestlé segue concentrando grande parte de seu fornecimento na África Ocidental. Cerca de 64 por cento do cacau adquirido por meio do Nestlé Cocoa Plan tem origem na região, enquanto a América Latina representa 32 por cento.
Costa do Marfim e Gana continuam sendo mercados estratégicos para a companhia, que mantém programas voltados ao aumento de produtividade e melhoria das práticas agrícolas. Apesar de acompanhar o desenvolvimento de alternativas, a empresa reforça que o cacau continua essencial para o chocolate e que não há substituição concreta em andamento.
Cacau cultivado ainda depende de aprovação regulatória
Empresas como Mondelēz e Barry Callebaut também investem em cacau cultivado em laboratório. A Mondelēz apoia a startup Celleste Bio, especializada nessa tecnologia. Outras companhias, como Lindt & Sprüngli, também demonstram interesse.
No entanto, o cacau cultivado ainda não possui aprovação regulatória em nenhum país. A adoção comercial permanece como possibilidade futura, não como realidade imediata.
Diante da volatilidade climática e econômica, a diversificação geográfica e a busca por inovação tornaram-se pilares estratégicos para os principais fabricantes globais de chocolate.
Imagem: Freepik
Fonte: https://www.foodnavigator.com/Article/2026/02/11/cocoa-diversification-strategies-nestle-mondelez-mars-barry-callebaut/