Larvas em comida de hospital

Por: Keli Lima Neves

Larvas em comida de hospital?

A presença de larva na comida gera um desconforto imediato em quem encontra.

Sabemos que é comum encontrar larvas em verduras frescas por exemplo, mas, existem as técnicas adequadas de lavagem para eliminar essas larvas e quem oferece refeição deve tomar os cuidados apropriados para evitar esse tipo de situação.

Também é de conhecimento que atualmente alguns países já utilizam alguns tipos de insetos para produção de alimentos tanto para alimentação animal quanto para alimentação humana, os que não aprovaram ainda, seguem com estudos de comprovação de segurança.

Já, esse caso de larvas nos alimentos oferecidos aos pacientes no hospital está longe de ser algo considerado admissível.

Sempre falo que os profissionais do Food Safety, são profissionais da Saúde e que Alimento Seguro é responsabilidade social. Quer exemplo melhor do que esse?

Produz alimento? Conheça as regras e coloque-as em prática!

Falo sobre esse assunto com propriedade, pois já tive que avaliar estabelecimento fechado pela Vigilância e que produzia alimento para hospital, já visitei estabelecimentos que seguem produzindo alimento para hospitais e que não deveriam estar atendendo nem para alimentação de pessoas saudáveis, que dirá para doentes.

E muito disso é culpa do nosso sistema, infelizmente!

Eu não concordo que precisa ter fiscalização para que a pessoa siga as regras, particularmente acho que quando a gente se propõe a fazer algo é nossa obrigação conhecer as leis, as normas e cumprir! Quem produz alimentos DEVE conhecer e implementar as normas sobre segurança dos alimentos, mas, não é assim que funciona. A realidade é que, se não tiver alguém cobrando, a maioria não faz.

Conheço estabelecimentos que fazem alimentos para hospitais, presídios, refeitórios de empresa, universidades, etc e que não possuem Boas Práticas adequadamente implementadas (mas tem um manual bonito para mostrar em licitações), não possuem programa de análises dos alimentos fabricados (mesmo existindo legislação definindo o que deveriam analisar). E o APPCC? Ahhh isso dá muito trabalho e a vigilância não cobra, então, pra que? Mas tem também aqueles que tem e que se você for olhar na prática, as vezes nem condiz com a realidade da empresa, mas tem a “papelada” para mostrar em licitação que aperta um pouco mais ou para algum fiscal, se por ventura pedir.

E assim seguimos! A maioria das situações como essa não aparece na mídia e mais uma vez, falo isso com propriedade de já ter acompanhado situações que não apareceram, mas existiram. Não apenas em hospitais, mas em refeições coletivas de outras instituições. Então, não é um caso isolado e tão pouco exclusivo deste fornecedor. Aliás, não sei quem é o fornecedor e o que de fato aconteceu neste alimento, mas, aproveitei para desabafar sobre isso, porque me incomoda muito e tapamos o sol com peneira!

As licitações ou aprovação de estabelecimentos que produzem alimentação coletiva deveriam ser mais rigorosas e exigir, além do alvará Sanitário, comprovação da implementação das BPF e do APPCC, visita técnica para aprovar o local (quando esse não possui uma certificação), análises, embalagem segura, etc.

Vale destacar que sim! Existem empresas pequenas, médias e grandes inseridas neste sistema de produção de alimentos para alimentação coletiva e que de fato, já entendem e cumprem com suas responsabilidades, garantindo a produção de alimentos seguros!

 

Mas de onde vieram essas Larvas da comida do hospital?

A larva é o estágio de desenvolvimento de certos animais (insetos, anfíbios, etc), o que significa que, antes de ser uma larva ela era um ovo e este estágio larval ainda não é o seu último ciclo de desenvolvimento.

Existem diferentes tipos de larvas.

Dentre os insetos que passam por estágio larval, podemos citar as mosca domésticas, as pragas de grãos (como besouros, mariposas), etc. Esse são alguns exemplos de onde pode ter surgindo as larvas deste alimento pronto para consumo oferecido em marmitas. O fato é que para as larvas se desenvolverem, primeiro o inseto tem que ter deixado seu ovo no alimento e segundo precisa ter as condições de desenvolvimento e se a condição está favorável para o desenvolvimento de larvas, provavelmente está favorável para o desenvolvimento e microrganismos.

Fica o alerta para nossas escolhas e para nossas decisões enquanto profissionais do Food Safety.

 

Dicas para armazenar alimentos em casa.

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