Marmitas congeladas ganham espaço na era do Ozempic
O mercado de alimentos e bebidas encontrou um novo público a conquistar: pessoas em uso de canetas emagrecedoras, cujo apetite reduzido está remodelando o cardápio da indústria. De cervejas proteicas a rodízios voltados para usuários de Mounjaro, empresas do setor vêm incorporando as necessidades desses consumidores aos produtos, e o segmento de marmitas congeladas também entrou nessa corrida. Pequenos negócios já vendem, nas redes sociais, kits de marmitas de até 250 g reforçados com proteína, voltados especificamente a esse público.
Vendas de linhas voltadas ao público GLP-1 dobram de tamanho
A Liv Up, empresa de marmitas congeladas, afirma que as vendas das linhas de emagrecimento e performance esportiva, lançadas no ano anterior, já dobraram de tamanho. Segundo Victor Santos, CEO e cofundador da companhia, a proporção de clientes que declaram usar as canetas GLP-1 cresce cerca de 2,5 pontos percentuais a cada semestre — de 5% da base há um ano para 10% em junho de 2026, com projeção de superar 20% em um ano, impulsionada pela quebra de patente dos medicamentos. As duas linhas caminham para R$ 150 milhões em vendas no segundo ano de operação, com crescimento acima da média da empresa.
Alimentos congelados e pedidos por aplicativo também crescem
O movimento acompanha a expansão do segmento de congelados no Brasil, que segundo a consultoria Imarc atingiu US$ 5,9 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 7,8 bilhões até 2034. No iFood, o volume de pedidos de marmitas congeladas cresceu 13% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. São Paulo lidera em representatividade, com alta de 24% ano a ano, mas outros estados registraram saltos ainda maiores, como Ceará (136%) e Espírito Santo (81%).
Outras empresas apostam em porções reduzidas e rótulos mais simples
A Vapza, especializada em alimentos embalados a vácuo, entrou no segmento de refeições prontas no ano passado e já destaca a quantidade de proteína nas embalagens como estratégia comercial. A empresa também lançou porções reduzidas voltadas a esse público e amplia a distribuição em supermercados, lojas de conveniência e padarias. Já a Seara, da JBS, passou a oferecer desde maio uma linha de refeições prontas com conceito “clean label”, com receitas simples e ingredientes de fácil identificação no rótulo.
Analistas apontam empresas de proteína como as mais beneficiadas
Segundo relatório da XP, empresas de proteína — categoria que inclui JBS, MBRF e Minerva — tendem a se beneficiar mais da adoção do GLP-1, enquanto Camil, M. Dias Branco e AmBev estariam mais expostas negativamente à tendência, diante da menor demanda por álcool e produtos ultraprocessados.
Fonte: Folha de São Paulo
Imagem: Magnific