OTA em baixa: FDA divulga 15 anos de dados sobre micotoxinas

OTA em baixa: FDA divulga 15 anos de dados sobre micotoxinas

Uma análise recentemente publicada com dados de monitoramento da FDA ao longo de 15 anos revelou que a grande maioria dos alimentos amostrados para ocratoxina A (OTA) não apresentou níveis quantificáveis da micotoxina. Os resultados apoiam a continuidade da vigilância em commodities de maior risco e podem subsidiar futuras decisões regulatórias sobre o contaminante nos EUA.

Mais de 3.700 amostras analisadas

O estudo analisou 3.708 amostras de alimentos coletadas pelo Programa de Conformidade de Micotoxinas em Alimentos Humanos da FDA entre os anos fiscais de 2008 e 2022, e foi detectado OTA acima do limite de quantificação em 131 amostras, representando 3,5% do total, ou seja, 96,5% das amostras não continham OTA detectável ou apresentavam níveis abaixo do limite aplicável. A FDA ressalta que o programa de amostragem foca em commodities sabidamente suscetíveis à contaminação por micotoxinas, e não representa uma avaliação estatisticamente representativa de todo o abastecimento alimentar americano.

Café verde e especiarias com maiores concentrações

As concentrações de OTA variaram de 1,03 a 116 microgramas por quilograma (µg/kg), sendo que as maiores concentrações foram encontradas em grãos de café verde, frutas secas, produtos de grãos e especiarias — resultados consistentes com levantamentos nacionais e globais anteriores. Entre os destaques por categoria, os alimentos infantis apresentaram apenas uma amostra positiva entre 168 (0,6%); frutas secas, especialmente passas, tiveram 12,4% de detecção; especiarias registraram a maior taxa de detecção, com 39,7% das amostras positivas, e concentrações de até 52,9 µg/kg, com os maiores níveis observados em pimentas e noz-moscada; e grãos de café apresentaram 2,7% de amostras positivas, com a maior concentração individual registrada no estudo (116 µg/kg), embora a torra reduza substancialmente os níveis de OTA.

Comparação com limites internacionais

A FDA não estabelece atualmente um limite máximo regulatório para OTA em alimentos, porém utiliza um nível de referência de 20 µg/kg para identificar casos que requerem avaliação individualizada de segurança. Durante o período estudado, apenas 17 amostras (0,4% do total) superaram esse nível, sendo que produtos importados corresponderam a 15 dessas amostras, das quais seis tiveram a entrada recusada nos EUA.

Em comparação com padrões internacionais, 47,3% das amostras com OTA quantificável superaram os limites máximos da União Europeia, enquanto 9,2% superaram os limites do Codex Alimentarius.

Monitoramento contínuo recomendado

A OTA foi classificada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC/OMS) como “possivelmente cancerígena para humanos” e pelo Programa Nacional de Toxicologia dos EUA como “razoavelmente prevista como carcinogênica para humanos”. A FDA ressalta que boas práticas agrícolas, de fabricação e de armazenamento podem reduzir o crescimento fúngico e a contaminação por OTA, embora algum nível de contaminação seja inevitável.

A partir do ano fiscal de 2025, os laboratórios da FDA adotaram um novo método analítico multimicotoxinas, capaz de detectar simultaneamente a OTA junto a aflatoxinas, deoxinivalenol, toxinas T-2 e HT-2 e zearalenona, ampliando o monitoramento da exposição dietética nos EUA.

Fonte: Food Safety

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