Paraná vê espaço para ampliar exportações após aval sanitário da Rússia

Paraná vê espaço para ampliar exportações após aval sanitário da Rússia

O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Rússia abre novas perspectivas comerciais para a pecuária paranaense. A decisão, comunicada pelas autoridades sanitárias russas em junho, segue o mesmo reconhecimento feito pela China no início do mês e reforça a imagem sanitária do Brasil em mercados estratégicos.

O Paraná havia obtido reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação em maio de 2021, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Em maio de 2025, a certificação foi ampliada para todo o território brasileiro.

Reconhecimento fortalece acesso a mercados

Segundo o Sistema FAEP, os avanços com China e Rússia são resultado de décadas de investimentos em defesa agropecuária, vigilância sanitária e controle dos rebanhos, conjunto com o trabalho entre produtores, entidades do setor e órgãos de defesa sanitária, o que fortalece o Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, gerando novas oportunidades para produtores paranaenses.

China segue como principal destino

A China é o principal destino das exportações paranaenses de carne bovina, uma vez que o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para o país no ano de 2025, movimentando US$ 126,9 milhões.

Com a melhora do reconhecimento sanitário, a expectativa é de que o estado amplie sua presença em mercados internacionais, com possíveis reflexos na demanda por proteínas animais, na atuação dos frigoríficos exportadores e na sustentação dos preços do boi gordo e do mercado de reposição.

Rússia pode voltar ao radar da carne bovina

Embora a Rússia tenha hoje participação menor nas exportações de carne bovina paranaense, o mercado é considerado estratégico diante das instabilidades comerciais internacionais. Em 2025, os embarques paranaenses para o país foram concentrados principalmente em carne de frango, com 11,3 mil toneladas exportadas e faturamento de US$ 25 milhões.

Fábio Peixoto Mezzadri, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, lembra que a Rússia já teve maior relevância para a carne bovina paranaense e que o novo reconhecimento sanitário demonstra a solidez e a eficiência do sistema sanitário brasileiro, abrindo novos caminhos comerciais.

Entre 2020 e 2023, o comércio de carne bovina congelada entre o Paraná e a Rússia movimentou US$ 27,2 milhões, com embarque de 7,2 mil toneladas. A partir de 2024, porém, não houve registros significativos de exportações paranaenses desse segmento para o mercado russo.

Diversificação ganha importância

O reconhecimento sanitário ocorre em um momento de maior atenção à diversificação de mercados, uma vez que medidas de salvaguarda da China, ameaças de restrições no mercado europeu e mudanças nas políticas comerciais de diferentes países, reforçam a necessidade de reduzir a dependência de poucos compradores.

O novo status sanitário não garante aumento imediato das exportações, mas melhora as condições para negociações comerciais. Para o Paraná, o desafio será transformar o reconhecimento em acesso efetivo, abertura de compradores e competitividade para as cadeias de carne bovina, frango e demais proteínas animais.

Fonte: Feed Food

Imagem: Magnific

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