Rastreabilidade em chá e café: de exigência regulatória a vantagem estratégica
Em 2026, a rastreabilidade ocupa lugar central na forma como as empresas compram chá e café, gerenciam riscos, protegem a continuidade do abastecimento e demonstram práticas responsáveis. Segundo Tom Blackwall, diretor de matérias-primas da Finlays, fornecedora global de chá e ingredientes botânicos, a regulação acelerou essa mudança, mas não é o único fator: mudanças climáticas, incerteza geopolítica, expectativas dos clientes e o escrutínio crescente das cadeias globais também ampliam a demanda por transparência.
Agilidade diante do clima
Eventos climáticos mais frequentes e imprevisíveis afetam onde as culturas podem ser cultivadas, bem como produtividade, qualidade e época de colheita. Para reduzir o risco de abastecimento, as marcas precisam diversificar origens — mas cada nova origem, fornecedor ou rota traz novos desafios de rastreabilidade. Avaliar, integrar e verificar rapidamente novas fontes tornou-se uma capacidade crítica para manter resiliência e conformidade. Ao mesmo tempo, manter cadeias totalmente rastreáveis e segregadas aumenta custos e complexidade com logística dedicada, armazenamento e processos de verificação, o que exige equilíbrio entre transparência e desempenho comercial.
Bons dados dependem de bons relacionamentos
As cadeias de chá e café estão entre as mais complexas da agricultura global: milhões de pequenos produtores em dezenas de países, com ingredientes que passam por cooperativas, processadores, exportadores e comerciantes antes de chegar às marcas. Em cada etapa, informações críticas podem se desconectar do produto físico. Como fazendas mudam de dono e áreas de cultivo se expandem, manter os dados precisos exige engajamento e verificação contínuos, e não checagens periódicas de conformidade.
Tecnologias como imagens de satélite, mapeamento por GPS e plataformas digitais ampliaram a visibilidade, mas não substituem a confiança e as parcerias de longo prazo com fornecedores e produtores, que sustentam a confiabilidade dos dados.
Da conformidade ao valor para o negócio
Há o risco de a rastreabilidade se limitar ao cumprimento de requisitos. Saber a localização exata de uma fazenda é útil, mas não indica se os produtores estão se adaptando ao clima ou melhorando a produtividade. Para Blackwall, o valor está no uso da informação: a visibilidade detalhada ajuda a identificar riscos climáticos e de fornecimento, direcionar investimentos em sustentabilidade e fortalecer a resiliência. Melhores dados devem gerar melhores decisões, não apenas mais relatórios.
Colaboração e padronização
Fornecedores costumam ser solicitados a entregar as mesmas informações em formatos diferentes para cada cliente, gerando complexidade e carga administrativa desnecessárias. Alinhar requisitos, integrar sistemas e adotar padrões comuns permitiria dedicar menos tempo à coleta de dados e mais tempo ao seu uso estratégico. Segundo o executivo, a rastreabilidade é, no fim, uma questão de confiança — e as organizações que a tratam como parte de uma estratégia mais ampla de abastecimento responsável estarão mais bem posicionadas para gerenciar riscos e atender às expectativas dos clientes.
Fonte: FoodBev
Imagem: Magnific