Salmonella em chocolate 

Salmonella em chocolate, será que sua fábrica está livre deste tipo de contaminação? 

Semana de páscoa e achei importante lembrarmos de um caso que aconteceu em 2022 e que devemos olhar para ele com atenção, pois, trata-se de uma situação corriqueira, que facilmente pode acontecer nas industrias de alimentos e que um dia, pode resultar em uma situação como esta. 

Em 2022, duas semanas antes da Páscoa, a Ferrero iniciou um grande recall de produtos da marca Kinder no Reino Unido, devido à contaminação por Salmonella Typhimurium e afetou principalmente crianças. 

 

Mas o que aconteceu e que lição devemos tirar? 

De acordo com os dados disponíveis no site da WHO: 

As investigações vincularam o surto ao chocolate produzido na Bélgica, que foi distribuído para pelo menos 113 países. O alerta global foi lançado pela INFOSAN em 10 de abril, iniciando um recall global do produto.  

Um total de 151 casos vinculados ao consumo dos produtos de chocolate implicados foram relatados em 11 países.  

Foram recolhidos os produtos com data e validade entre 26 de maio e 21 de agosto de 2022. 

 

O que foi descoberto sobre a contaminação? 

Existem algumas especulações e algumas fontes informam que o real foco da contaminação não foi descoberto, mas inúmeras medidas foram tomadas e de alguma forma o problema foi resolvido. 

 

Quem nunca viveu uma situação como essa? De detectar uma contaminação e não conseguir descobrir de onde de fato ela veio? E no meio da investigação, ações vão sendo tomadas e de repente, o problema é resolvido. 

Origem da Salmonella: 
  • A Agência de Segurança Alimentar da UE (EFSA) e o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) identificaram um surto multinacional ligado aos chocolates Kinder. 
  • A contaminação foi rastreada até uma fábrica da Ferrero na Bélgica, onde os produtos eram fabricados. 
  • De acordo com algumas fontes, o problema ocorreu devido a  falhas nos filtrosdo sistema de processamento, permitindo que a bactéria passasse para o produto final. Outros relatam que a contaminação estava em um tanque de soro de leite, outros que estava em um tanque de manteiga/leitelho. 

A empresa, que reconheceu suas deficiências, anunciou que 50% dos ensaios analíticos serão realizados por um laboratório externo aprovado, enquanto até o ocorrido tudo era baseado em um sistema interno de autoverificação. 

Fica aqui a importância de termos um programa de análises externas de verificação, bem como envolver diferentes pessoas na análise crítica dos resultados 

Um plano também foi apresentado às autoridades de saúde belgas em maio de 2022, dizendo que todos os funcionários da fábrica trabalharam sete dias por semana em função de uma rigorosa higienização, de forma que aproximadamente 10.000 peças foram desmontadas e higienizadas uma por uma, dizia a proposta de ação para reabertura da fábrica. 

Uma limpeza profunda foi conduzida na fábrica em uma tentativa de livrar a instalação da contaminação.  

 

Consequências 
  • A Ferrero recolheu milhares de toneladas de produtos Kinder em vários países. 
  • A empresa enfrentou ações judiciais e multas por atraso na comunicação do risco à saúde pública. 
  • A crise abalou a reputação da marca e levou a uma revisão dos processos de segurança na indústria de chocolates. 
  • A unidade fabril ficou temporariamente fechada. 

 

Certamente as consequências são muito maiores do que esses quatro pontos levantados aqui e só consegue realmente dimensionar o custo econômico e emocional de uma situação como essa, quem de fato passou.  

Boatos foram publicados informando inclusive que a empresa teria conhecimento da presença de Salmonella em um resultado pontual de análise do processo (equipamento) em dezembro de 2021 mas que não acreditou que o produto pudesse ter sido afetado, uma vez que os testes microbiológicos dos produtos não apresentavam resultado positivo. 

 

O que podemos aprender com este caso? 

Esse caso destacou a importância de controles rígidos em fábricas de alimentos, e que não há processo de fabricação livre de contaminação. Também não é o tamanho da organização que demonstra segurança e sim, o comprometimento das equipes. 

O que te fato aconteceu, só quem lá estava tem condição de informar, mas, que situações como as levantadas são possíveis e acontecem nos diferentes processos de fabricação, nós, que atuamos na área, sabemos que nada do que foi relato é impossível. 

  • Não tomar as medidas cabíveis a partir de um resultado de análise positivo. 
  • Não investir em um plano de verificação envolvendo pessoas distintas, laboratórios e equipes externas. 
  • Filtro e equipamento sem passar pelo processo de higienização adequado, principalmente quando o volume de produção está acima do que se espera e o desejo de produzir é maior que o compromisso com a segurança. 
  • Filtros e equipamentos que não passam pelo processo adequado de higienização ou avaliação e liberação para uso, pelo descomprometimento do colaborador com sua responsabilidade! Seja por não compreender a importância da sua função, ou  simplesmente pelo descaso. 

Nada disso é impossível e o que precisamos aprender é que não estamos livres.  Atirar pedra não é o caminho, mas aprender com a situação. Trazer para nossa realidade e avaliar o que pode ser feito para melhorar e evitar uma situação grave como esta.  Esta situação envolveu 11 diferentes países. 

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