União Europeia suspende importações de carnes do Brasil

União Europeia suspende importações de carnes do Brasil por regras sobre antimicrobianos

A União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal para o bloco europeu. A decisão foi publicada em 12 de maio de 2026 e está relacionada às novas exigências sanitárias da UE sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes para comprovar conformidade com os requisitos estabelecidos pelo Regulamento (UE) 2023/905, criado para combater a resistência antimicrobiana — um dos maiores desafios atuais para a saúde pública mundial.

O que muda com a decisão da União Europeia?

As novas regras entram em vigor em 3 de setembro de 2026 e impactam produtos de origem animal destinados ao mercado europeu, incluindo:

  • carne bovina;
  • carne suína;
  • carne de aves;
  • pescado;
  • leite e derivados;
  • ovos e outros produtos de origem animal.

A legislação europeia proíbe:

  • o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento;
  • o uso preventivo indiscriminado de antibióticos;
  • a utilização de antimicrobianos considerados críticos para a medicina humana.

De acordo com a União Europeia, a restrição aplicada ao Brasil não está relacionada à detecção de resíduos nos alimentos ou à ocorrência de surtos associados aos produtos brasileiros. O foco da medida está na comprovação documental e regulatória de que o sistema brasileiro atende integralmente às exigências europeias.

Resistência antimicrobiana preocupa autoridades globais

A resistência antimicrobiana (RAM) é considerada uma das principais ameaças globais à saúde pública. Organizações como a Organização Mundial da Saúde, a FAO e a Organização Mundial de Saúde Animal alertam que o uso inadequado de antimicrobianos na produção animal pode favorecer o surgimento de bactérias resistentes, reduzindo a eficácia de tratamentos médicos em humanos e animais.

Nos últimos anos, diversos mercados internacionais passaram a endurecer exigências relacionadas ao uso prudente de medicamentos veterinários, rastreabilidade e controle sanitário nas cadeias produtivas de alimentos.

Impacto econômico para o agronegócio brasileiro

A decisão pode gerar impactos significativos para o agronegócio brasileiro. A União Europeia está entre os principais destinos das exportações brasileiras de proteínas animais e movimentou cerca de US$ 1,8 bilhão em compras desses produtos em 2025.

Além das perdas comerciais diretas, especialistas avaliam que a medida pode aumentar a pressão internacional sobre:

  • rastreabilidade da produção;
  • controle do uso de medicamentos veterinários;
  • comprovação de conformidade regulatória;
  • transparência dos sistemas sanitários;
  • harmonização com padrões internacionais.

Enquanto o Brasil foi retirado da lista de países habilitados, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram autorizados a exportar para o mercado europeu.

Governo brasileiro pretende negociar reversão da medida

O governo brasileiro informou que pretende dialogar com as autoridades europeias para tentar reverter a decisão. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) afirmou que o Brasil possui controles sanitários robustos e que irá apresentar informações técnicas adicionais para demonstrar conformidade com as exigências da União Europeia.

O caso reforça uma tendência cada vez mais forte no comércio internacional de alimentos: questões relacionadas à segurança dos alimentos, sustentabilidade, rastreabilidade e uso responsável de antimicrobianos estão se tornando fatores decisivos para manutenção do acesso aos mercados globais.

O que este caso mostra para a indústria de alimentos?

Mais do que uma questão comercial, a decisão evidencia como requisitos regulatórios internacionais estão cada vez mais conectados à saúde pública e à gestão de riscos sanitários.

Empresas e cadeias produtivas que desejam manter competitividade internacional precisarão investir continuamente em:

  • programas de uso racional de antimicrobianos;
  • rastreabilidade;
  • validação documental;
  • monitoramento de conformidade;
  • fortalecimento da cultura de segurança dos alimentos.

A tendência é que exigências sanitárias globais se tornem cada vez mais rigorosas nos próximos anos.

 

Fonte da notícia: G1

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