A controvérsia em torno do MSG: o que dizem as pesquisas?

A controvérsia em torno do MSG: o que dizem as pesquisas?

O glutamato monossódico (MSG) tem sido alvo de controvérsia há décadas. Tradicionalmente visto como prejudicial à saúde ou até perigoso, o aditivo gera desconfiança entre muitos consumidores. No entanto, um número crescente de evidências indica que as ligações entre o MSG e efeitos adversos à saúde não são tão fortes quanto se pensava.

O que é o MSG?

O glutamato monossódico é um realçador de sabor que intensifica o gosto nos alimentos, amplamente utilizado em industrializados, como batatas fritas, sopas e carnes, porém ocorre também naturalmente em alimentos como tomates e alguns queijos. Seu uso é especialmente difundido na Ásia: segundo a empresa de análise Mintel, 28% dos lançamentos de alimentos na região Ásia-Pacífico continham MSG entre 2020 e 2024, em comparação com apenas 5% na Europa.

Como surgiu a controvérsia

A desconfiança em relação ao MSG tem raízes antigas. Em 1968, uma carta publicada no New England Journal of Medicine relatava sintomas de dormência, fraqueza e palpitações após o consumo de comida em restaurante chinês. Os sintomas foram associados ao MSG e o conjunto ficou conhecido como “síndrome do restaurante chinês” — termo hoje considerado ofensivo e cuja ligação com o aditivo se mostrou mais fraca do que se acreditava.

Ainda assim, a desconfiança persistiu. Segundo a Mintel, 45% dos consumidores nos EUA evitavam o MSG no ano passado, diante disso, diversas empresas reformularam produtos para reduzir ou eliminar o aditivo, crescendo então a demanda por substitutos como temperos de cogumelos porcini e caldo de anchova.

O que dizem as pesquisas

Apesar da desconfiança persistente, o MSG foi reavaliado cientificamente nos últimos anos. Já na década de 1990, a Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental (FASEB) concluiu que os efeitos colaterais relatados — como dormência, sonolência e palpitações — eram leves, passageiros e associados a doses superiores a três gramas. Uma porção típica de alimento com MSG contém menos de 0,5 gramas, segundo a FDA.

Uma revisão de estudos mais recente constatou que efeitos adversos como cardiotoxicidade, hepatotoxicidade, neurotoxicidade e inflamação de baixo grau estão ligados a quantidades muito maiores do que as normalmente consumidas em produtos alimentícios. Outro estudo investigou a alegação de que o MSG agravaria sintomas de asma e concluiu que consumidores do aditivo não apresentaram piora em relação ao grupo placebo — nem mesmo entre aqueles que acreditavam ser sensíveis ao ingrediente.

Algumas pesquisas chegam a apontar benefícios: o MSG contém apenas um terço do sódio presente no sal de mesa, o que o tornaria uma alternativa para reduzir a ingestão de sódio.

O ceticismo persiste

Sintomas como dores de cabeça, náuseas e fadiga ainda são observados em alguns consumidores sensíveis que consomem o produto em grandes quantidades, destaca Neha Srivastava, analista sênior de patentes para alimentos da Mintel. Ela também ressalta que alimentos com MSG são frequentemente muito processados, com perfis nutricionais pouco saudáveis e altos níveis de sódio ou gordura.

Julia Mills, analista de alimentos e bebidas da Mintel, afirma que, embora o MSG seja considerado seguro por agências de segurança de alimentos em todo o mundo, o aditivo ainda carrega um certo estigma — especialmente entre consumidores mais velhos. Ainda assim, as evidências disponíveis apontam repetidamente que o MSG tem sido considerado inocente das acusações que lhe são imputadas.

Fonte: FoodBev

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