Nova vacina oral contra Shigella mostra 89% de eficácia
Um ensaio clínico de fase 2 publicado na revista The Lancet Infectious Diseases reportou resultados encorajadores para uma vacina oral experimental contra Shigella sonnei, uma das principais causas de diarreia infecciosa no mundo.
89% de proteção contra a infecção
Duas doses da vacina candidata, denominada WRSs2, proporcionaram 89% de proteção contra a infecção por S. sonnei em comparação com o placebo, em um modelo controlado de infecção humana. Os resultados superaram a eficácia observada em ensaios anteriores com vacinas contra Shigella e apoiam o avanço para estudos clínicos de maior escala.
Robert Frenck, diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas do Cincinnati Children’s Hospital e co-autor sênior do estudo, avaliou os resultados como um passo importante no desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a Shigella.
O peso da resistência antimicrobiana
A Shigella causa dezenas de milhões de infecções e centenas de milhares de mortes por ano em todo o mundo, só nos EUA estima-se que o patógeno provoque aproximadamente 450 mil infecções anuais, afetando principalmente crianças menores de cinco anos. Como a bactéria apresenta resistência crescente aos antibióticos e não existe atualmente nenhuma vacina licenciada, o desenvolvimento de uma vacina eficaz pode contribuir para reduzir significativamente a carga global da doença.
Vacina também pode reduzir a transmissão
O ensaio clínico de fase 2 envolveu 108 adultos saudáveis entre 18 e 49 anos, recrutados entre outubro de 2022 e janeiro de 2024, com o total de 73 participantes completando a fase de infecção controlada, foi possível notar que além de reduzir a doença, os vacinados apresentaram sintomas menos graves e menores níveis de eliminação bacteriana, o que sugere que a vacina também pode diminuir a transmissão.
Não foram registrados eventos adversos graves relacionados à vacina, embora efeitos colaterais temporários tenham motivado ajustes de dose ao longo do estudo.
Próximas etapas
O estudo, que foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), com apoio farmacêutico do Departamento de Defesa americano, agora pretende avaliar a proteção de longo prazo, a dosagem ideal e a eficácia contra múltiplas cepas de Shigella, com estudos futuros voltados a crianças e outras populações de maior risco.
Fonte: Food Safety
Imagem: Magnific