Retorno ao trabalho presencial fortalece o mercado de marmitas

Retorno ao trabalho presencial fortalece o mercado de marmitas

O mercado de marmitas vive um momento de expansão no Brasil e passou a figurar entre as prioridades de grandes empresas do setor de alimentos e tecnologia. Impulsionado pelo retorno ao trabalho presencial, pela busca por economia e pela demanda por refeições práticas, o segmento movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano e atrai investimentos de companhias como Seara e iFood.

O crescimento acompanha mudanças no comportamento do consumidor: com menos profissionais em home office, aumentou a procura por refeições prontas que ofereçam praticidade e menor custo. O cenário também é influenciado pela inflação da alimentação fora do lar — em 2026, os preços das refeições em restaurantes acumulam alta de 2,76%, e em muitas cidades almoçar fora já custa perto de R$ 50. Ao mesmo tempo, cada vez mais consumidores valorizam o controle sobre os ingredientes e a qualidade nutricional das refeições.

Seara aposta em refeições congeladas para ganhar escala

A Seara lançou uma linha de marmitas congeladas destinada aos supermercados, aproveitando sua estrutura de distribuição para ampliar a presença em um mercado tradicionalmente pulverizado. A linha inicial reúne sete refeições inspiradas na comida caseira, com combinações como carne moída com legumes, frango desfiado e linguiça acebolada, sempre acompanhadas de arroz, feijão e outros complementos.

Segundo Rafael Palmer, diretor de Marketing da Seara, pesquisas da empresa apontaram que os consumidores priorizam refeições com sabor de comida feita em casa, ingredientes familiares e preços acessíveis. A companhia pretende ampliar o portfólio nos próximos meses, conforme o desempenho de vendas.

Comida caseira ganha espaço entre consumidores

Levantamento da consultoria Galunion, citado pela Seara, mostra que seis em cada dez consumidores de maior renda passaram a levar refeições preparadas em casa com mais frequência. A popularização dos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, também estimulou a procura por marmitas ricas em proteína.

iFood transforma marmitas em estratégia para empresas

O iFood investe no mercado por meio da unidade iFood Benefícios, voltada ao segmento corporativo. Em parceria com a Greentable, a empresa instalou freezers com refeições prontas em companhias de diversos setores, com pratos vendidos entre R$ 19,99 e R$ 29,99. O projeto já atende aproximadamente 400 empresas, incluindo bancos e hospitais, e o consumo na cidade de São Paulo chega a cerca de 18 milhões de marmitas por mês, segundo o iFood.

Escalar a operação ainda é um desafio

A expansão também impacta outros setores — a Whirlpool desenvolveu modelos de freezer com maior capacidade para atender consumidores que congelam refeições ao longo da semana.

Apesar do potencial do segmento, ampliar a produção continua sendo um desafio. A Greentable produz atualmente entre 250 mil e 300 mil marmitas por mês e afirma que a capacidade operacional é o principal fator que limita uma expansão mais acelerada. A Liv Up também enfrentou dificuldades durante sua expansão entre 2022 e 2023, mas voltou a crescer após reorganizar o negócio, alcançando receita de R$ 270 milhões no último ano.

Mercado de marmitas entra no radar da indústria

Mais do que uma tendência passageira, o mercado de marmitas passou a representar uma nova ocasião de consumo para a indústria de alimentos, atendendo consumidores que buscam refeições rápidas, equilibradas e com preço competitivo para a rotina de trabalho. A expectativa é que o segmento continue atraindo investimentos e ampliando sua participação no mercado brasileiro.

Fonte: BHB Food

Imagem: Magnific

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