Índia recolhe temperos após testes de laboratório detectarem fraude
A Autoridade de Segurança e Padrões Alimentares da Índia (FSSAI) emitiu ordens de proibição contra as empresas Everest Food Products e Laljee Godhoo and Company, impedindo a venda de determinados produtos de asafétida composta (hing em pó) após análises laboratoriais constatarem que as amostras não atendiam ao parâmetro de extrato solúvel em álcool, principal indicador usado para detectar adulteração na especiaria. A FSSAI determinou que ambas as empresas suspendam a venda dos produtos afetados e iniciem o recolhimento do estoque já distribuído no mercado.
Teste de extrato solúvel em álcool é o parâmetro-chave
A asafétida composta, popularmente chamada de hing, é uma especiaria à base de resina extraída da planta Ferula, cultivada principalmente no Irã, no Afeganistão e na Ásia Central. Como a Índia produz pouco da resina bruta internamente e a importação tem custo elevado, as formulações comercializadas no país costumam combinar uma pequena proporção de resina com amido comestível, goma arábica ou outros aditivos permitidos. Quando a proporção de resina verdadeira fica abaixo do exigido pela norma, ou quando aditivos não autorizados são utilizados, o produto é classificado como adulterado. O teste de extrato solúvel em álcool é o método padrão para avaliar esse parâmetro, já que a resina autêntica se dissolve em álcool, enquanto adulterantes à base de amido deixam resíduo insolúvel.
Ação é específica por produto, mas segue caso anterior contra a Everest
A proibição recai sobre os produtos específicos identificados nos testes, não sobre a totalidade do portfólio das empresas, que podem continuar vendendo outras especiarias não citadas nas investigações. A FSSAI, no entanto, reservou-se o direito de intensificar a ação caso os recolhimentos não sejam realizados ou novas violações sejam identificadas. A ação mais recente ocorre após constatações regulatórias anteriores contra a Everest Food Products por violações de qualidade em outros produtos de masala, o que levanta questionamentos sobre a eficácia dos controles internos de qualidade em grandes fabricantes de especiarias do país.
Adulteração de hing é considerada risco recorrente no setor
A asafétida composta é historicamente considerada, pela FSSAI e por pesquisadores independentes de segurança alimentar, uma das especiarias mais vulneráveis à adulteração, devido ao alto custo da resina importada e à facilidade relativa de substituição por aditivos mais baratos. A fiscalização nacional da FSSAI já havia identificado problemas de qualidade em diversos outros produtos, como cúrcuma, pimenta em pó, coentro e cominho, reforçando um padrão recorrente de falhas de conformidade no setor de especiarias indiano.
Fonte: Herald Express
Imagem: Magnific