Listeria e E. coli em tábuas de corte domésticas: a contaminação não foi o único achado

Listeria e E. coli em tábuas de corte domésticas: a contaminação não foi o único achado

Um estudo brasileiro publicado em 2026 no Journal of Food Protection analisou isolados de Listeria monocytogenes e E. coli recuperados de 100 tábuas de corte domésticas (50 de madeira, 50 de plástico) usadas em cozinhas do Brasil. Ao todo, 8 das 100 tábuas apresentaram uma das duas bactérias — 3 com Listeria (16 isolados) e 5 com E. coli (15 isolados) —, mas o achado mais relevante foi o perfil desses isolados: entre os de E. coli, 86,7% eram multirresistentes e 60% produtores de ESBL, com resistência de 100% à ampicilina, 93,3% à tetraciclina e 80% à ciprofloxacina; entre os de Listeria, 37,5% eram multirresistentes, incluindo um isolado resistente à vancomicina, e os sorotipos encontrados (1/2a, 1/2b e 4b) estão entre os mais associados a infecções humanas.

Genes de virulência e de formação de biofilme apareceram com frequência, mas a capacidade real de adesão em laboratório foi majoritariamente fraca (mais de 85% em ambas as bactérias), mostrando que presença genética não significa expressão funcional garantida. O material da tábua (madeira ou plástico) não determinou um risco maior de forma consistente, e os sanitizantes testados eliminaram os isolados em condições controladas — embora essa eficácia não possa ser automaticamente transferida para a rotina doméstica real. Os autores recomendam medidas já conhecidas em boas práticas: separar alimentos crus de prontos para consumo, substituir tábuas desgastadas e usar sanitizantes corretamente, destacando que a cozinha doméstica também é uma interface relevante na discussão sobre resistência antimicrobiana.

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