O que acontece com biofilmes de Listeria quando uma superfície fica 14 dias sem uso
Um estudo publicado em 2026 no Journal of Food Protection avaliou o que acontece com biofilmes já estabelecidos de Listeria monocytogenes quando uma superfície fica 14 dias sem nova oferta de nutrientes e sob refrigeração a 4,4°C. Os pesquisadores formaram biofilmes com cinco cepas da bactéria em quatro materiais comuns em ambientes de processamento (acetal, nitrila, borracha e aço inoxidável), que atingiram populações acima de 6,75 log CFU/cm² após 72 horas em condições favoráveis. Passados os 14 dias adicionais de restrição, as populações caíram ligeiramente — para valores entre 6,21 e 6,48 log CFU/cm² conforme o material —, mas permaneceram viáveis em todas as superfícies, mostrando que a ausência de uso e nutrientes não elimina, por si só, um biofilme já formado.
O estudo também testou três sanitizantes (ácido lático 5%, cloro 200 ppm e amônio quaternário 200 ppm), que promoveram reduções significativas em relação ao grupo sem tratamento — diferente da água isolada, que não teve efeito estatístico relevante. O desempenho, porém, variou conforme a superfície: o ácido lático apresentou reduções maiores em várias condições (de 2,51 a 3,76 log CFU/cm² logo após a formação do biofilme), mas os autores alertam que seu uso é limitado pelo potencial corrosivo, e nenhum sanitizante pode ser considerado universalmente superior. Nenhum dos quatro materiais se destacou como mais ou menos favorável ao biofilme. Para a indústria, o achado central é que equipamentos ou superfícies fora de operação por períodos prolongados não devem ser presumidos livres de biofilmes viáveis apenas por estarem sem uso.
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