A adolescência mudou: jovens estão mais sóbrios e mais isolados
Os adolescentes de hoje bebem menos do que seus pais bebiam durante a juventude, mas essa tendência pode não estar necessariamente ligada a fatores positivos. Algumas hipóteses sugerem que a geração cuja infância foi atravessada pela pandemia, pelo avanço acelerado da tecnologia e pela intensa presença das redes sociais cresceu em um cenário de maior isolamento, menos interação presencial e poucas oportunidades de socialização espontânea.
O declínio do consumo de álcool entre adolescentes começou no fim da década de 1990 e vem se intensificando desde então. Estudos apontam que, em 2025, a porcentagem de estudantes que consumiram álcool nos últimos 12 meses foi de 41% no 12º ano escolar, em comparação com 75% em 1997. No 10º ano, o índice caiu de 65% para 24%, enquanto no 8º ano passou de 46% para apenas 11%.
Mudança social
O impacto da pandemia na vida social de crianças e adolescentes é apontado como um dos principais fatores dessa transformação. Muitos jovens passaram anos convivendo com isolamento, ensino remoto e interações limitadas ao ambiente virtual, o que contribuiu para um aumento persistente da solidão e da dificuldade de socialização presencial.
Além disso, encontros e relações sociais passaram a acontecer majoritariamente por meios online, alterando a forma como essa geração constrói vínculos, amizades e experiências sociais.
Valorização estética
As pressões relacionadas à saúde, aparência e imagem corporal também influenciam os hábitos dos jovens. Homens e mulheres estão cada vez mais preocupados com estética, condicionamento físico e exposição nas redes sociais, fazendo com que suas prioridades se concentrem em cuidados com o corpo, alimentação e hábitos considerados saudáveis.
Nesse contexto, muitos adolescentes evitam bebidas alcoólicas e determinados alimentos para manter padrões estéticos. Especialistas também apontam que o retorno da tendência da “magreza extrema” nas redes sociais pode reforçar ainda mais esses comportamentos.
Fenômenos ligados à cultura do “looksmaxxing” — tendência online focada na maximização da aparência física — também ajudam a explicar a crescente obsessão estética entre os jovens.
Pressão econômica
As dificuldades econômicas enfrentadas pela Geração Z também impactam diretamente os hábitos sociais. Estudos indicam que aproximadamente metade dos homens e mulheres jovens não gasta dinheiro mensalmente com encontros amorosos ou atividades sociais.
O alto custo de lazer, transporte, alimentação e entretenimento faz com que muitos jovens reduzam saídas presenciais, festas e encontros.
Amadurecimento tardio
Pesquisadores também observam um amadurecimento mais tardio entre adolescentes e jovens adultos. Situações que anteriormente aconteciam mais cedo — como independência financeira, relacionamentos estáveis e responsabilidades da vida adulta — vêm sendo adiadas.Com isso, muitos comportamentos sociais tradicionalmente associados à adolescência também mudaram de perfil.
Por fim, especialistas afirmam que os pais podem ajudar a reduzir parte dos fatores de estresse enfrentados pelos filhos. Isso não significa incentivar o consumo de bebidas alcoólicas, mas sim estimular momentos de convivência presencial, conexões sociais mais saudáveis e ambientes em que os jovens não sintam a necessidade constante de apresentar uma versão perfeita de si mesmos, especialmente nas redes sociais.
Fonte: Axios
Imagem: Magnific