App ajuda brasileiros a entender o que há nos rótulos dos produtos

App ajuda brasileiros a entender o que há nos rótulos dos produtos

Repletos de números, símbolos e termos técnicos difíceis de compreender, os rótulos de produtos existem por obrigatoriedade legal. No Brasil, a rotulagem de alimentos e cosméticos é regulamentada pela Anvisa, mas muitas vezes essas informações passam despercebidas pelos consumidores justamente pela dificuldade de interpretação.

Yuka chega ao Brasil

Para facilitar esse entendimento, aplicativos como o Yuka, criado na França e já disponível na Europa e nos EUA, chegaram ao mercado brasileiro em julho. O app escaneia rótulos de alimentos, produtos de higiene e cosméticos e faz uma avaliação de 0 a 10, acompanhada de uma classificação por cores que varia do verde ao vermelho.

Julie Chapon, cofundadora do Yuka, conta que a ideia surgiu após perceber que um cereal consumido diariamente, continha quase 25% de açúcar e diversos aditivos considerados problemáticos. Segundo a executiva, o Brasil está entre os países que mais enviaram solicitações para a chegada do app, em um contexto em que produtos ultraprocessados já representam cerca de um quarto da alimentação dos brasileiros.

No caso dos alimentos, a nota é baseada em três critérios: equilíbrio nutricional, presença de aditivos e certificação orgânica, já para cosméticos, cada ingrediente é analisado quanto a potenciais efeitos como alergias, irritações, desregulação endócrina, risco carcinogênico e impacto ambiental. Além do Yuka, outros aplicativos disponíveis no Brasil com funções similares incluem RotulApp, Desrotulando e Posso Comer?.

Especialistas pedem cautela

Apesar da utilidade, especialistas alertam que os aplicativos podem simplificar excessivamente a leitura dos produtos ou até demonizar certos ingredientes. A dermatologista Ana Carolina Sumam ressalta que, no caso dos cosméticos, é preciso considerar o tipo de pele, a presença de doenças dermatológicas, a tolerância a determinados ativos e as concentrações presentes na fórmula, fatores que um aplicativo não é capaz de avaliar individualmente.

O endocrinologista Rafael Suhett reforça o raciocínio para os alimentos, segundo ele a avaliação nutricional envolve composição completa, perfil e quantidade de nutrientes, tamanho da porção e objetivos de saúde individuais. Critérios padronizados não consideram contexto, frequência de consumo ou padrão alimentar da pessoa. Para ambos os especialistas, os aplicativos são ferramentas complementares úteis, mas não substituem a orientação de um profissional de saúde.

Fonte: CNN Brasil

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