Ataque hacker eleva temperatura de geladeiras na França
Em 12 de outubro, centenas de supermercados na França foram alvo de um ciberataque que invadiu os sistemas de refrigeração e elevou as temperaturas dos equipamentos a até 50 °C. O resultado foi a deterioração e a perda em massa de alimentos, além de incêndios em algumas lojas.
Como o ataque aconteceu
Os invasores conseguiram acionar remotamente os sistemas de degelo forçado dos refrigeradores conectados nas lojas atingidas. Segundo a Reuters, a Agência Nacional de Cibersegurança da França (ANSSI) investiga o caso, já que nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo ataque. Também há relatos de varejistas afetados na Espanha, em Portugal, na Polônia, na Alemanha e na Bélgica.
Vulnerabilidade em software da Danfoss pode ter sido explorada
Uma fonte ligada à investigação informou que a ANSSI identificou uma vulnerabilidade em um software de equipamentos fornecidos pela empresa dinamarquesa Danfoss. A empresa afirmou que os refrigeradores atacados operavam com firmware desatualizado, e que já havia orientado seus clientes a atualizá-lo ou substituí-lo.
A ANSSI alertou que lojas em outros países podem usar o mesmo software e estar em risco. Varreduras na internet encontraram controladores de refrigeração da Danfoss expostos na África do Sul, nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros países. A França concentra a maior parte deles, cerca de 60%, segundo a empresa UK Cyber Defense.
Prejuízo pode chegar a dezenas de milhões de euros
Entre as redes atingidas estão cerca de 300 unidades do Intermarché e de sua bandeira Netto, mais de 100 lojas da Coopérative U, mais de 80 do Carrefour, aproximadamente 5% das 490 lojas do Monoprix e algumas unidades do E.Leclerc, de acordo com a Al Jazeera.
Ainda não há estimativa oficial das perdas do setor. O CEO do Intermarché, Thierry Cotillard, afirmou à BFM TV que o ataque provavelmente custou dezenas de milhões de euros às redes afetadas, em razão do descarte de produtos expostos a temperaturas fora de controle.
O CEO da Coopérative U, Dominique Schelcher, destacou no LinkedIn que os refrigeradores são conectados à internet para permitir o monitoramento remoto da temperatura, e que atacar equipamentos essenciais à conservação de produtos frescos é atacar a cadeia de abastecimento alimentar dos franceses. Ele classificou o episódio como inédito, gravíssimo e inaceitável.
Cibersegurança como tema de segurança de alimentos
O episódio reforça a cibersegurança como uma questão emergente de segurança de alimentos. Em 2022, os especialistas Robert Norton e N.C. Simmons já alertavam que a infraestrutura digital é a base da defesa de alimentos e da agricultura, e que um ataque de grande escala poderia comprometer de forma massiva a segurança, a defesa e a garantia de abastecimento de alimentos. Segundo os autores, o ponto de partida para as empresas é fortalecer seus próprios sistemas de defesa cibernética.
Fonte: Food Safety Magazine
Imagem: Magnific