Cepas REP – reincidentes, emergentes e persistentes
As chamadas cepas REP (Reincidentes, Emergentes e Persistentes) são linhagens de bactérias causadoras de doenças transmitidas por alimentos que continuam provocando infecções ao longo do tempo, mesmo sem estarem necessariamente associadas a surtos clássicos. Um framework desenvolvido por pesquisadores do CDC, FDA e USDA-FSIS classificou essas cepas em três grupos: reincidentes, que causam surtos repetidos; emergentes, que apresentam aumento contínuo de casos; e persistentes, que mantêm um número constante de infecções por longos períodos. A proposta surgiu porque a maioria das doenças alimentares ocorre de forma esporádica e não é identificada como parte de surtos reconhecidos, dificultando a identificação das fontes e a implementação de medidas preventivas.
O avanço do sequenciamento genômico completo (WGS) permitiu rastrear essas cepas ao longo do tempo e conectar casos humanos a reservatórios alimentares, animais e ambientais. Entre os exemplos monitorados estão cepas de Salmonella, Listeria monocytogenes e E. coli associadas a alimentos como frango, peru, carne bovina, laticínios, folhas verdes e até animais de estimação. Os pesquisadores observaram que intervenções direcionadas em ambientes de produção e fontes de contaminação foram seguidas por reduções significativas nos casos humanos, indicando que a vigilância de cepas REP pode ser uma ferramenta importante para prevenir doenças antes que se transformem em grandes surtos. O estudo também destaca a necessidade de análises genômicas mais avançadas e de maior colaboração entre órgãos reguladores, pesquisadores e a indústria para compreender como esses patógenos persistem e se disseminam ao longo da cadeia alimentar.
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