Como melhorar a lucratividade da sua empresa

Henrique de Castro Neves
Por Henrique de Castro Neves

 

 

 

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Empresas competitivas priorizam estratégias que assegurem melhorias contínuas nos resultados financeiros obtidos. Não importa o tamanho, a governança e a composição do capital. Empresas familiares, micro e pequenas empresas, companhias de capital aberto e empresas transnacionais tem como uma das importantes medidas de desempenho os resultados entregues pelos diretores financeiros, os conhecidos CFOs (da sigla em inglês Chief Financial Officer).

A empresa Mckinsey realizou um levantamento com 452 CFOs de diferentes países e concluiu que os desafios mais importantes no dia a dia destes executivos em suas empresas são: previsão dos resultados operacionais (31%); e implementação de medidas para redução/economia de gastos (27%). Estes dois pontos refletem diretamente as preocupações dos gestores com a lucratividade de suas empresas. Várias ferramentas de finanças corporativas e, até mesmo, da legislação tributária podem afetar os resultados financeiros. Todavia, intervenções e mudanças na operação usualmente são mais relevantes, não somente por serem mais tangíveis, mas também pelo fato de garantirem respostas mais rápidas na demonstração de resultados.

Neste contexto, a conversão de custos fixos para custos variáveis são uma excelente opção para a redução dos gastos e melhoria da lucratividade da empresa. Esta conversão demanda um considerável esforço de gestão, mas com a utilização de outsourcing é possível ser realizada, possibilitando ainda que cada especialista foque naquilo que sabe fazer de melhor (produção, transporte ou comercialização). Portanto, o outsourcing possibilita respostas favoráveis aos dois itens listados na referida pesquisa pelos CFOs: facilita a previsão de resultados operacionais e reduz gastos.

A palavra outsourcing significa terceirização. Este conceito se baseia na delegação de atividades a uma empresa especialista na realização de uma ou mais etapas do processo produtivo, deixando a cargo do contratante do serviço a remuneração por item adquirido (custo variável).

Este conceito é largamente utilizado na indústria automobilística, onde as montadoras (como o próprio nome já diz) recebem as partes dos veículos já prontas e realizam a montagem, configuração e venda. O mercado de vestuário de calçados também serve como um excelente exemplo de outsourcing, onde há grandes marcas figurando na lista das maiores companhias globais sem que tenham nenhuma fábrica. Estas empresas cuidam do licenciamento de suas marcas e da comercialização, deixando a fabricação por conta do prestador de serviço que oferecer o menor custo de produção. Atualmente, os menores custos são encontrados na Ásia, com destaque para a China e os chamados Tigres Asiáticos.

Podemos citar exemplos também na área de serviços, onde muitas organizações terceirizam seus serviços de portaria, vigilância, limpeza e mais recentemente, em função da crescente dependência dos recursos de informática, suas áreas ou departamentos de Tecnologia da Informação (TI). Há também serviços especializados como os Call Centers (Centros de Atendimento Telefônico) que oferecem desde o outsourcing de atividades comerciais (compra e venda) até a operação de serviços de atendimento ao consumidor.

Quando analisamos o desempenho nos médio e longo prazos, uma das melhores maneiras de melhorar o resultado financeiro da empresa e aumentar sua lucratividade, é transformando os custos fixos em variáveis.

Por definição os custos fixos são aqueles gastos relacionados à operação que ocorrem independentemente da quantidade produzida, ou seja, o desembolso deverá acontecer tendo havido ou não produção dos bens em um determinado estabelecimento. Portanto, podemos concluir que quanto maior for a produção menor será a participação dos custos fixos no custo unitário de produção. Por outro lado, os custos variáveis são definidos como aqueles relacionados à operação, ou seja, variam diretamente com a variação da produção.

Cabe ressaltar que os custos fixos oscilam em intervalos de tempo muito superiores aos custos variáveis, pois além de não acompanharem a receita linearmente, os custos fixos fazem uma “escalada” cada vez em que a empresa realiza um investimento para suportar um crescimento projetado.

Uma outra preocupação ou ponto de atenção é o fato de nem sempre o aumento do volume produzido dilui os custos fixos, principalmente quando as instalações físicas da unidade produtiva começam a ficar muito grandes, com quantidades mínimas de produção cuja configuração da planta (denominado setup) se torna muito complexa e cara, perdendo flexibilidade e consequentemente a capacidade de responder rapidamente ao mercado, principalmente em situações adversas. A esta realidade denominamos de custo de complexidade.

Este debate sempre traz a tona a preocupação quanto a terceirizar e perder o controle. Atualmente, existem muitas opções de programas e sistemas de gestão da qualidade, certificáveis ou não, que possibilitam ao prestador de serviços, fornecedor do outsourcing, garantir a seus clientes toda segurança necessária para a realização da etapa de produção ou de todo o processo em suas instalações.

Conhecer o parceiro, auditar suas instalações, exigir certificações de processo não é tão complexo quanto parece. Além disso, várias empresas já́ possuem sistemas e instalações estruturados (com alto nível de qualificação) para oferecer o outsourcing a seus parceiros comerciais. Além disso, as auditorias podem ainda ser conduzidas por equipes especializadas e independentes das partes interessadas na negociação (chamada auditoria de 2a parte).

Assim, cabe a cada gestor definir qual a melhor estratégia para sua companhia e onde alocar os recursos para garantir a maior lucratividade. Adotar o outsourcing como estratégia pode permitir que a empresa foque cada vez mais em ganhar mercado enquanto trabalha em parceria com outras organizações com experiência e dedicação a uma atividade que não a da contratante da terceirização

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