Manejo inadequado e pesca fantasma elevam riscos sanitários e ambientais na aquicultura
Com a piscicultura brasileira ultrapassando 1 milhão de toneladas produzidas, cresce também a necessidade de atenção à saúde dos peixes, à qualidade da água e ao descarte responsável de equipamentos.
Expansão do setor amplia responsabilidades
A piscicultura brasileira atingiu a marca de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, segundo levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). O crescimento consolida a atividade como fonte relevante de proteína animal, mas exige cuidados cada vez maiores com o manejo, a sanidade dos animais e a preservação dos ambientes aquáticos.
Estresse dos peixes: um risco silencioso à produção
Um dos principais desafios do setor é o estresse dos peixes, que pode comprometer o desempenho produtivo e favorecer o surgimento de doenças. Baixa concentração de oxigênio, excesso de amônia e nitrito, variações bruscas de temperatura, pH inadequado e alta densidade nos tanques estão entre os fatores mais comuns.
Quando submetidos a essas condições por tempo prolongado, os peixes direcionam energia para mecanismos de sobrevivência, reduzindo a resposta imunológica e enfraquecendo barreiras naturais como pele, escamas, brânquias e intestino — o que facilita a entrada de agentes causadores de enfermidades.
Os sinais de alerta incluem peixes boquejando na superfície, nado errático, letargia, isolamento do cardume, queda no consumo de ração e alterações de coloração.
Prevenção exige rotina e monitoramento constante
Segundo o consultor técnico Cleber Daniel Almeida, planejar operações, minimizar o tempo de manipulação, utilizar equipamentos adequados e manter equipes treinadas são medidas fundamentais. O monitoramento regular de parâmetros como oxigênio, amônia, nitrito, temperatura e pH da água é indispensável para manter os animais saudáveis e produtivos.
Pesca fantasma entra na pauta de políticas públicas
Além dos desafios dentro das propriedades, o setor enfrenta um problema ambiental externo: a pesca fantasma. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realizou em junho uma oficina nacional para discutir políticas voltadas à gestão de equipamentos de pesca perdidos, abandonados ou descartados no ambiente aquático.
A iniciativa integra o projeto internacional GloLitter Partnerships, conduzido pela FAO e pela Organização Marítima Internacional (IMO), e também compõe as entregas do MPA no âmbito da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP). O encontro reuniu representantes do governo, da sociedade civil e de organismos internacionais, com foco em construir caminhos normativos para reduzir os impactos desses materiais sobre a fauna e os ecossistemas aquáticos.
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Fonte: Feed Food
Imagem: Magnific