Salmonella: Como a Composição de Sorotipos em Carnes Evoluiu Entre 1998 e 2024
O estudo analisou mais de 43 mil amostras positivas de Salmonella coletadas pelo USDA entre 1998 e 2024 e mostrou que a composição dos sorotipos varia significativamente ao longo do tempo e entre diferentes tipos de carne. Em cada cadeia produtiva, alguns sorotipos permanecem dominantes por décadas, enquanto outros apresentam comportamento transitório, crescendo rapidamente e depois desaparecendo. No frango, Salmonella Kentucky manteve-se como o sorotipo predominante, embora Enteritidis, Heidelberg e Infantis tenham apresentado mudanças importantes ao longo dos anos. Na carne bovina moída, Montevidéu foi o principal sorotipo, enquanto Newport e Dublin tiveram picos temporários. No peru, Hadar se destacou como dominante, alternando protagonismo com Reading, especialmente durante surtos registrados entre 2018 e 2019. Já nos produtos suínos, as variantes monofásicas de Typhimurium ganharam relevância crescente, acompanhando tendências observadas em casos humanos de salmonelose.
Os autores destacam que nem sempre os sorotipos mais frequentes são os que representam maior risco à saúde pública. Alguns sorotipos menos prevalentes, como Enteritidis, Newport, Dublin e as variantes monofásicas de Typhimurium, apresentam maior virulência e estão associados a um número desproporcionalmente maior de surtos e casos humanos. Por isso, estratégias de controle não devem focar apenas na redução da prevalência total de Salmonella, mas também considerar quais sorotipos estão sendo afetados e quais podem ocupar o espaço deixado por eles. Os resultados reforçam a importância do monitoramento contínuo da dinâmica dos sorotipos ao longo da cadeia produtiva, permitindo que programas de controle sejam mais eficazes, adaptáveis e alinhados ao risco real para a saúde pública.