Quando a Bactéria Morta Aperta o Alarme
Os testes moleculares utilizados na segurança dos alimentos, como PCR e LAMP, revolucionaram a detecção de patógenos por serem rápidos e altamente sensíveis. No entanto, eles apresentam uma limitação importante: detectam DNA, independentemente de a bactéria estar viva ou morta. Isso significa que resíduos genéticos de microrganismos eliminados por processos de higienização podem gerar resultados positivos mesmo sem risco real de contaminação, contribuindo para recalls desnecessários, desperdício de alimentos e prejuízos financeiros significativos. Para tentar resolver esse problema, foi desenvolvido o corante PMA (propidium monoazide), capaz de bloquear a amplificação do DNA de células mortas, permitindo teoricamente a detecção apenas de bactérias viáveis.
Pesquisas recentes, porém, demonstram que o PMA possui limitações importantes em condições reais. Sua eficiência depende da proporção entre células vivas e mortas na amostra, informação geralmente desconhecida nos alimentos analisados. Além disso, o corante pode apresentar comportamentos diferentes dependendo da espécie bacteriana e do método analítico utilizado, comprometendo a confiabilidade dos resultados. Diante dessas limitações, pesquisadores investigam alternativas como a detecção de RNA, que se degrada rapidamente após a morte celular, o monitoramento da atividade metabólica dos microrganismos e técnicas de remoção do DNA residual antes da análise. O objetivo é tornar os testes mais precisos, reduzindo falsos positivos, desperdícios e recalls desnecessários sem comprometer a segurança dos alimentos.
Imagem: Magnific