Mercado de alimentos reaproveitados pode chegar a US$ 125 bilhões até 2035
O reaproveitamento de excedentes e subprodutos da indústria está ganhando espaço na produção de alimentos, bebidas e ingredientes. O mercado global de produtos desenvolvidos por meio do upcycling foi estimado em US$ 66,8 bilhões em 2025 e pode alcançar aproximadamente US$ 125 bilhões até 2035. (Reuters)
O conceito envolve transformar matérias-primas, excedentes ou partes que seriam descartadas em produtos de maior valor. Segundo a reportagem da Reuters, a América do Norte concentra perto de 40% desse mercado, enquanto o interesse também cresce em países como Japão e Coreia do Sul. (Reuters)
Excedentes e subprodutos ganham novas aplicações
Entre os exemplos apresentados estão alternativas vegetais à carne produzidas com excedentes de beterraba, cenoura, cogumelos e polpa de sucos; salgadinhos feitos com batatas que não atendem aos padrões visuais do varejo; e cervejas produzidas com pães excedentes. (Reuters)
Outros fluxos de aproveitamento incluem bagaço de cervejaria, borra de café, polpas de frutas e partes descartadas durante o processamento de grãos. Esses materiais podem ser transformados em barras energéticas, farinhas, ingredientes ricos em fibras, suplementos, alimentos para animais e até produtos destinados a outros setores. (Reuters)
A Reuters também cita iniciativas que utilizam sementes de uva como alternativa parcial ao cacau e subprodutos de vinícolas na produção de suplementos para aves. No Canadá, empresas estão aproveitando resíduos do processamento de grãos e o amido presente na água utilizada pela indústria de batatas para criar novos ingredientes alimentícios. (Reuters)
Redução do desperdício impulsiona o setor
Quase um quinto dos alimentos produzidos anualmente é perdido ou desperdiçado antes do consumo. Esse desperdício também está relacionado a uma parcela estimada entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. (Reuters)
Para as empresas, o reaproveitamento também pode reduzir custos ligados ao tratamento e ao descarte de resíduos. Na União Europeia, metas previstas para 2030 incluem a redução de 10% do desperdício no processamento de alimentos e de 30% no varejo e nos domicílios. (Reuters)
Reaproveitamento não substitui a prevenção
Especialistas ouvidos pela publicação destacam que o upcycling não deve substituir medidas para evitar a geração de desperdício. A prioridade continua sendo prevenir as perdas e, quando isso não for possível, manter os alimentos e ingredientes no nível mais alto possível da cadeia de aproveitamento. (Reuters)
A expansão do setor também depende da capacidade de combinar benefícios ambientais com viabilidade comercial, desempenho dos produtos e comunicação clara com os consumidores. A percepção sobre ingredientes reaproveitados ainda varia entre os mercados, o que pode influenciar a maneira como as empresas apresentam essas soluções. (Reuters)
Fonte: Reuters.