Pesquisa da USP cria indicador colorimétrico de umidade para embalagens

Pesquisa da USP cria indicador colorimétrico de umidade para embalagens

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sensor biodegradável, feito à base de amido, capaz de mudar de cor para indicar a entrada de umidade em embalagens de alimentos. Graças à adição do sal cloreto de cobalto em sua composição, o dispositivo altera sua coloração do tom azul para o rosa conforme a umidade aumenta ou diminui, permitindo que consumidores e fabricantes monitorem a qualidade e a crocância de alimentos como biscoitos a olho nu ou pela tela do celular, sem necessidade de equipamentos complexos.

Estudo foi liderado pelo Instituto de Química de São Carlos da USP

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP), com apoio da FAPESP por meio de três projetos de pesquisa, e publicado em junho na revista Food Chemistry. Os testes foram realizados com biscoitos do tipo cream cracker, altamente sensíveis à umidade e propensos a perder rapidamente a crocância quando armazenados em condições inadequadas. Os resultados mostraram que a mudança de cor acompanhou o aumento da umidade e apresentou forte relação com a perda de textura dos biscoitos, indicando que o sensor conseguiu refletir alterações reais nas condições de armazenamento.

Cloreto de cobalto muda de cor ao reagir com o vapor d’água

O pequeno cilindro à base de amido, inserido próximo aos alimentos, muda de cor em poucos segundos, variando entre tons de azul e rosa: fica azul quando o sal está seco e rosa quando hidratado, indicando presença de vapor d’água. Segundo Bianca Maniglia, professora do IQSC-USP e orientadora da pesquisa, o diferencial do estudo foi ampliar a área de superfície do sensor, tornando-o mais sensível a diferentes condições de umidade dentro da embalagem. Atualmente, o setor de embalagens movimenta cerca de R$ 165,7 bilhões por ano no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Embalagem (Abre).

Ideia surgiu de lembrança de infância e ainda exige adaptações

A inspiração para o uso do cloreto de cobalto veio do “galinho do tempo”, enfeite de cozinha popular nas décadas de 1980, que mudava de cor conforme as condições climáticas. Os pesquisadores adaptaram o material a uma tecnologia de criogel — material poroso obtido por congelamento e liofilização do gel de amido. Segundo Maniglia, ainda são necessários estudos adicionais antes do uso comercial, já que a presença do cloreto de cobalto torna o sensor tóxico e impede o contato direto com o alimento. O grupo já avalia alternativas com compostos bioativos de frutas, como a casca da jabuticaba, para monitorar também a deterioração de carnes.

Fonte: FAPESP

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