Pesquisa avalia uso de insetos em pães e massas para alimentação humana

Pesquisa avalia uso de insetos em pães e massas para alimentação humana

Um estudo conduzido pela pesquisadora Natasha Marasca, doutoranda em Engenharia e Ciência de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), avalia a incorporação de larvas comestíveis, transformadas em farinha, à alimentação humana. A proposta não é utilizar o inseto inteiro nos pratos, mas incorporar a farinha de larvas como ingrediente em produtos como pães e massas. No Brasil, o uso de insetos em alimentos ainda não é regulamentado, ao contrário da União Europeia, onde algumas espécies já podem ser transformadas em farinha e incorporadas a diferentes produtos, como pães, massas e chocolates.

Pesquisa testa duas espécies com características distintas

A pesquisadora trabalha com duas espécies de insetos: a Ceratitis capitata, o “bichinho da goiaba” — fase larval da mosca-das-frutas — e a mosca-soldado-negra. Segundo Natasha, o bichinho da goiaba tem odor mais ameno e de fruta, o que facilita sua aplicação em alimentos, enquanto a mosca-soldado-negra, já autorizada para ração animal, tem dieta diferente e sabor mais característico. Entre os testes realizados, a pesquisa avaliou concentrações de farinha de Ceratitis capitata entre 10% e 30% no alimento, buscando identificar o limite de incorporação sem prejudicar as características sensoriais do produto para o consumidor.

Neofobia alimentar é apontada como principal barreira ao consumo

Após um período de doutorado na Espanha, onde o consumo de insetos já é autorizado, Natasha relatou ter encontrado resistência semelhante à observada no Brasil, mesmo em um país onde a prática é permitida. Segundo ela, o fenômeno é conhecido como neofobia alimentar — a resistência a experimentar alimentos novos ou desconhecidos. Por isso, incorporar a farinha de insetos a produtos já familiares ao consumidor, como pães e massas, é vista como uma das estratégias para facilitar a aceitação desse tipo de alimento.

Farinha de bichinho da goiaba tem alto teor proteico

Além de avaliar a aceitação sensorial, a pesquisa também investiga o potencial nutricional do ingrediente. De acordo com Natasha, dependendo da forma de processamento, a farinha do bichinho da goiaba pode alcançar cerca de 40% de proteína e 30% de lipídios, um teor proteico elevado quando comparado a outras proteínas de origem animal. Após o abate, a trituração e a padronização das larvas — processo que resulta em uma farinha semelhante à farinha de trigo — o ingrediente é incorporado a produtos de panificação, produtos cárneos e outros alimentos, buscando identificar onde sua presença é menos perceptível ao paladar do consumidor.

Fonte: GZH

Imagem: Magnific

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