Perdas no varejo brasileiro chegam a R$ 42,1 bilhões por ano
O desperdício de produtos e as falhas na gestão de estoque seguem entre os maiores gargalos operacionais do varejo brasileiro. De acordo com a Pesquisa de Perdas mais recente da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (ABRAPPE), o valor perdido no varejo nacional chegou a R$ 42,1 bilhões por ano, o equivalente a um índice médio de 1,65% sobre o faturamento do setor.
Validade expirada é causa frequente de perdas
No varejo alimentar e no farmacêutico, o vencimento do prazo de validade aparece como uma das principais causas de quebras operacionais e de desperdício direto de margem.
Para Michel Jasper, CEO da Web Jasper e especialista em varejo, esse tipo de perda é um “ralo financeiro silencioso”. Ele calcula que, em uma loja típica de mil metros quadrados com faturamento mensal de R$ 2,1 milhões, a falta de controle rígido de validade gera prejuízo anual de cerca de R$ 105,7 mil. São mais de R$ 8,8 mil descartados todos os meses, muitas vezes sem que a diretoria perceba.
Automação e PVPS podem recuperar até 95% do valor
Segundo Jasper, processos de verificação automatizados no chão de loja, aliados à aplicação rigorosa do método PVPS (Primeiro que Vence, Primeiro que Sai), permitem recuperar até 95% desse valor. Na mesma operação, a perda anual cairia para menos de R$ 5,3 mil.
Ele aponta como origens do problema as falhas no recebimento, as compras em excesso e a falta de rodízio das mercadorias no estoque. Como alternativa, cita ferramentas digitais, como leitores de código de barras em dispositivos móveis e alertas automáticos de validade próxima. Esses recursos permitem antecipar ações de rebaixa de preço e de liquidação preventiva sem comprometer a rentabilidade.
Riscos legais e administrativos para o varejista
Além do prejuízo financeiro, manter produtos vencidos nas gôndolas expõe o varejista a consequências legais. A exposição ou a venda de itens fora do prazo de validade é enquadrada como crime contra as relações de consumo (Art. 7º, IX, da Lei nº 8.137/90), com pena de 2 a 5 anos de detenção para gestores e responsáveis pelo estabelecimento.
Também podem ocorrer sanções administrativas aplicadas por órgãos como o Procon e a vigilância sanitária, com multas que ultrapassam R$ 13 milhões, além da apreensão e do descarte compulsório de todo o lote afetado.
Danos à saúde e à reputação
Se um consumidor sofrer qualquer agravo à saúde, o estabelecimento responde de forma civil e objetiva por danos materiais e morais. Isso pode resultar em reparações judiciais e em desgaste severo da imagem e da credibilidade da marca no mercado.
Prevenção como necessidade estratégica
Para o especialista, combater as perdas por validade deixou de ser uma opção operacional e passou a ser uma necessidade estratégica de sobrevivência no varejo. A combinação de tecnologia de monitoramento, processos bem alinhados no chão de loja e uma cultura rigorosa de prevenção protege a margem de lucro, a integridade jurídica e a reputação da marca perante os consumidores.
Fonte: Aditivos & Ingredientes