Listeria e E. coli em tábuas de corte domésticas: a contaminação não foi o único achado
Um estudo publicado em 2026 no Journal of Food Protection investigou as características microbiológicas e moleculares de isolados de Listeria monocytogenes e Escherichia coli recuperados de tábuas de corte domésticas de madeira e plástico utilizadas em residências brasileiras. Das 100 tábuas analisadas originalmente, oito apresentaram uma das duas bactérias, sendo três positivas para Listeria monocytogenes e cinco para E. coli.
Entre os 15 isolados de E. coli, 86,7% foram classificados como multirresistentes e 60% apresentaram produção de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL). Também foram observadas altas frequências de resistência à ampicilina, à tetraciclina e à ciprofloxacina.
Entre os 16 isolados de Listeria monocytogenes, 37,5% apresentaram multirresistência, incluindo um isolado resistente à vancomicina. Além disso, foram identificados sorotipos associados a infecções humanas e genes relacionados à virulência e à formação de biofilmes, evidenciando características relevantes para a segurança dos alimentos.
Apesar da presença frequente de genes associados à formação de biofilmes, a maioria dos isolados apresentou baixa capacidade de adesão nas condições laboratoriais avaliadas.
Os testes com quatro sanitizantes comerciais demonstraram atividade antimicrobiana, com contagens bacterianas abaixo do limite de detecção, sem diferenças de eficácia entre os produtos nas condições experimentais. Entretanto, esses resultados não permitem assegurar a mesma eficácia em situações domésticas, uma vez que os ensaios não foram realizados diretamente nas tábuas e não reproduziram todas as variáveis de uma cozinha real.
Da mesma forma, os dados não permitem afirmar que tábuas de madeira sejam mais seguras que as de plástico, devido ao número limitado de amostras contaminadas. Os resultados reforçam a importância das boas práticas de higiene, incluindo a separação entre alimentos crus e prontos para consumo, a substituição de tábuas desgastadas e o uso correto de sanitizantes.
Embora as limitações do estudo impeçam a generalização dos resultados, a pesquisa destaca a relevância das superfícies domésticas na prevenção da contaminação cruzada e na compreensão da circulação de bactérias resistentes aos antimicrobianos no ambiente alimentar.
Fonte da Imagem: IA