Como a Nestlé quer reformular produtos para a era do Ozempic
A Nestlé anunciou que vai desenvolver produtos alimentícios voltados especificamente a usuários de medicamentos GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A iniciativa combina ciência nutricional e inteligência artificial e foi anunciada pelo diretor de tecnologia da companhia, Stefan Palzer, em entrevista à Reuters.
O problema que a empresa quer resolver
Cientistas da Nestlé vêm estudando os efeitos colaterais do emagrecimento rápido provocado por esses medicamentos: a chamada “cara de Ozempic”, perda de massa muscular, deficiências nutricionais, desidratação e fadiga. “Estamos bem posicionados com o portfólio. É uma grande oportunidade para a nossa empresa”, afirmou Palzer.
Foco na massa muscular
Um dos focos centrais da pesquisa é a perda de massa muscular magra, efeito colateral comum entre usuários de GLP-1. Os cientistas identificaram uma combinação de dois micronutrientes, já industrializada, capaz de estimular o crescimento do tecido muscular enquanto o produto fornece proteína.
Produtos para quem para de usar o medicamento
A companhia também patenteou combinações de ingredientes voltadas a consumidores que estão deixando de usar os medicamentos GLP-1, com o objetivo de ajudar a controlar o apetite à medida que o efeito do remédio diminui e reduzir o risco de compensação alimentar.
Inteligência artificial no processo
Além da pesquisa de ingredientes, a Nestlé está usando IA para simular comportamentos de consumo, identificar tendências emergentes e mapear oportunidades de reformulação dentro de um banco de dados com cerca de 120 mil receitas.
O contexto do setor
O crescimento acelerado do uso de medicamentos GLP-1 preocupa a indústria de alimentos e bebidas, já que os usuários tendem a comer menos, lanchar com menor frequência e ser mais seletivos. Estudos citados indicam queda nas compras de salgadinhos, bebidas açucaradas e produtos indulgentes, com aumento da demanda por alimentos ricos em proteína, fibras e micronutrientes — abrindo espaço para o setor lácteo como fornecedor estratégico dessa nova geração de produtos funcionais.
Fonte: Edairy News