Dobro de surtos em cinco meses acende alerta para ciguatera no RN
O Rio Grande do Norte (RN) registrou 27 surtos de ciguatera nos cinco primeiros meses de 2026, mais que o dobro dos 13 contabilizados em todo o ano de 2025, segundo a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap).
O aumento dos casos ocorre em meio à investigação da morte de uma idosa de 85 anos, que faleceu com suspeita de intoxicação por ciguatera após permanecer cerca de um mês internada. Parte do pescado consumido pela paciente foi recolhida e está sendo analisada em laboratório.
Ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes provenientes de áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas invisíveis a olho nu.
Essas microalgas podem ser ingeridas por peixes de pequeno porte, que posteriormente são predados por espécies maiores e carnívoras. Quando o ser humano consome esses peixes contaminados, a intoxicação pode ocorrer.
As ciguatoxinas não podem ser eliminadas por métodos convencionais de preparo dos alimentos, como cozimento, congelamento, salga ou defumação. Dessa forma, uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após o preparo e a digestão.
Além disso, não existe tratamento específico para a intoxicação por ciguatera. O atendimento médico é voltado principalmente para o controle e alívio dos sintomas.
Os sinais da intoxicação costumam surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do alimento contaminado. Entre os principais sintomas estão:
- dor abdominal;
- náuseas;
- vômitos;
- diarreia;
- dor de cabeça;
- cãibras;
- coceira intensa;
- fraqueza muscular;
- visão turva; e
- gosto metálico na boca.
Histórico
O primeiro surto de ciguatera registrado no estado ocorreu em 2022 e envolveu dez pessoas de uma mesma família após o consumo de um peixe conhecido popularmente como bicuda.
Desde então, outros episódios de intoxicação foram associados ao consumo de diferentes espécies, incluindo cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
Após o primeiro registro, apenas o ano de 2024 não apresentou notificações da doença. Já 2025 foi o ano com o maior número de casos confirmados até então, totalizando 54 pessoas afetadas.
Orientação à população
As autoridades de saúde recomendam evitar o consumo de pescados de procedência desconhecida ou associados a relatos de intoxicação por ciguatera.
A população também deve ficar atenta ao aparecimento de sintomas compatíveis com a doença e procurar imediatamente atendimento médico em caso de suspeita.
Sempre que possível, recomenda-se preservar sobras do pescado consumido, pois elas podem auxiliar a Vigilância Sanitária na investigação dos casos e na identificação da fonte da contaminação.
Fonte: G1.com
Imagem: Magnific