Fago WAH2 inibe biofilmes e o crescimento de esporos germinados de Bacillus cereus
Pesquisadores chineses descreveram um novo bacteriófago lítico, chamado WAH2, que reduziu populações de Bacillus cereus, patógeno de origem alimentar, em culturas de laboratório, em biofilmes e em três matrizes alimentares. O estudo foi publicado na revista Current Research in Food Science.
Origem e características
O fago foi isolado de águas residuais de uma estação de tratamento de uma fábrica de alimentos em Guangzhou, na China, usando como hospedeira uma cepa de B. cereus obtida de salsichas chinesas, resistente a vários antibióticos e com genes de toxinas. Pela morfologia, WAH2 é um miovírus e pertence ao gênero Bastillevirus. A análise do genoma não identificou genes de resistência a antibióticos, de virulência nem de lisogenia.
Estável em ampla faixa de condições
O fago manteve a infectividade de 4 °C a 45 °C, em soluções de 2% a 10% de cloreto de sódio e em pH de 5 a 11. Foi totalmente inativado a partir de 65 °C e em pH 2 e 13.
Ação em biofilmes e esporos germinados
Em caldo, o fago impediu o crescimento da bactéria durante 36 horas nas doses mais altas. Também preveniu a formação de biofilme e atuou sobre biofilmes já formados em aço inoxidável, reduzindo as células viáveis em cerca de 3,7 a 3,8 log UFC/mL.
Os esporos dormentes, porém, não foram mortos nem tiveram a germinação afetada. O efeito apareceu depois da germinação: o fago impediu o crescimento das células recém-germinadas. Segundo os autores, isso mostra um limite da estratégia, que não substitui medidas voltadas aos esporos resistentes.
Resultados em leite, arroz e carne suína
Nos testes com leite UHT, arroz em pó e carne suína inoculados, a bactéria ficou indetectável em poucas horas a 25 °C no leite e no arroz nas doses mais altas, e não houve recrescimento em 72 horas em nenhum grupo tratado. Sob refrigeração, a 4 °C, a ação foi mais lenta, mas também sem recrescimento. Na carne suína, a redução foi mais modesta nas doses menores. Não foram recuperados sobreviventes resistentes ao fago nos testes.
Limitações do estudo
O fago infectou apenas 7 das 51 cepas de B. cereus testadas (13,7%), o que pode exigir a combinação com outros fagos. Os testes usaram alimentos esterilizados ou tratados, uma única cepa e uma única exposição, sem avaliar produtos naturalmente contaminados, doses repetidas, condições de processamento industrial nem a evolução de resistência a longo prazo. Por isso, os autores indicam o WAH2 como candidato promissor ao biocontrole, e não como solução pronta para uso.
Fonte: Scienmag